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UM RELIGIOSO PERDIDO NO NATAL

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 20 de dez. de 2016
  • 2 min de leitura
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Rev. Cônego Jorge Aquino

Não há como duvidar que o natal é uma festa cristã e, portanto, que possui uma forte conotação religiosa e espiritual. No entanto, faz tempo que o Ocidente descobriu que a dimensão religiosa tem uma grande facilidade para se travestir em negócio e em rentabilidade. Para tanto basta manter a plasticidade ou a aparência de festa cristã ainda que sejam feitas, aqui e acolá, algumas modificações na essência das coisas. Pronto! Mudamos tudo!

Nosso natal já não é mais um momento do ano em que refletimos sobre a vinda do menino Jesus para iniciar um reino de paz e de justiça; ele deixou de ser um instante em que a humildade substitui a arrogância e onde todos nos consideramos irmãos.

O natal agora é a festa da opulência, das compras, do luxo, ou seja, do lucro. É claro que neste período – e só neste período, por um “desencargo de consciência”, muita gente aparece levando brinquedos para as crianças mais pobres, na vã esperança de que aqueles carrinhos ou bonequinhas, supram a ausência cotidiana do pão e da educação – direito de todos e dever do Estado. Afinal, até mesmo aparecer dando presentes é uma forma de “lustrar o ego” e de sair “bem na foto”. É como se um gesto como este pudesse fazer desaparecer, com um passe de mágica, um ano inteiro de descaso para com os mais pobres. Bem, mas o que realmente importa neste mundo não é ser, é parecer. E a vida segue seu caminho.

O sinal mais claro desta mudança de sentido (ou talvez fosse melhor chamar de golpe de Estado) na qual a opulência e o luxo substituem a humildade e o serviço, é o crescente desaparecimento dos presépios em nossos shopping centers. Não há mais espaço para a Sagrada Família ou para o menino Jesus. Toda glória ao papai Noel e as suas renas! É ele que ocupa o lugar privilegiado nestes templos do consumo. É à procura dele – e de seus presentes – que as crianças insistem em visitar os shoppings no domingo à tarde.

Natal, hoje, é isso: comercio, lucro, opulência, beleza. A única coisa de cristã que resta é o nome “natal”. Mas já que se trata de natal, porque duvidar que desta realidade fútil e desolada Deus não possa fazer brotar, mais uma vez, um renovo? Porque duvidar que deste mundo nominalmente cristão Deus não possa nos mostrar a existência de pessoas que realmente o adoram e espírito e em verdade? São estes, afinal, que ele procura para seus adoradores. Toda honra ao menino que nasceu! Toda honra a Jesus!

 
 
 

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