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SIM, EU CREIO

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 1 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Rev. Padre Jorge Aquino.

As vezes tenho a impressão que questões relacionadas à fé acabam resvalando na forma como as pessoas são, ou gostariam de ser vistas. Tentarei explicar melhor. As vezes tenho a impressão de que as pessoas creem ou descreem em função do que os outros vão pensar sobre eles. Assim, tenho a impressão que hoje, a fé se tornou algo que se tem ou não, dependendo do grau de “vergonha” ou “constrangimento” que se tem caso você creia ou não. Por isso, se na década de 1970 eu via com muita frequências pessoas se dizendo ateias, hoje em dia, parece ser chique ou elegante afirmar ser “agnóstico”, ao passo que se dizer “crente” equivaleria a ser alguém démodé ou fora de moda.

Se você me perguntar se eu creio, minha resposta será bastante clara: “Sim, eu creio”. Mas gostaria de dizer algumas coisas sobre minha fé. Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que, assim como o Cardeal Newman, entendo que crer é “essencialmente o acolhimento de uma verdade que nossa razão não consegue atingir”. Por isso cremos! De outra forma não seria necessário crer. É simples, se eu pudesse chegar a todas as verdades por meio da razão, não precisaria acreditar. A fé opera em uma esfera diferente – embora não contrária – à da razão.

Uma segunda informação que eu gostaria de apresentar sobre minha fé é que crer é, nas palavras de Karl Rahner, “sustentar, durante toda a vida, a incompreensibilidade de Deus”. Em outras palavras, entendo que nem por meio da razão, nem por meio da fé, seremos capazes de compreender cabal e totalmente a pessoa de Deus. Deus é será sempre alguém que estará além de nossa capacidade cognitiva.

Por fim, em terceiro lugar, compreendo que crer não é a mesma coisa que um suicídio intelectual. Em outras palavras, assim como dizia Tomás de Aquino, “Não gostaria de crer se não pudesse perceber que é sensato crer”. Assim, muito embora a fé não seja algo racional, ela não é i-racional ou a-racional. O problema é que muita gente não entende isso. Na verdade, acredito que tenho boas razões para crer. Na verdade, eu diria que entre a fé e a razão, fico com a fé. Afinal, sem fé, tudo perde a razão!

Apesar disso, parece ser mais elegante e intelectualmente mais aceitável se dizer agnóstico. Nada contra o agnosticismo, muito ao revés. O que é mais surpreendente nisso tudo, é que a postura mística medieval é extremamente próxima da postura agnóstica contemporânea. O agnóstico é aquele que entende que, no que diz respeito a Deus, nada pode ser dito e que todo juízo deve ser suspenso. Isso é exatamente o que um místico cristão medieval diria sobre Deus. A teologia apofática afirma muito claramente que Deus é algo acerca do qual nada pode ser dito vez que ele não é uma coisa ao lado de outras coisas.

Para concluir, acredito ser necessário explicar que ter fé, não significa compreender as coisas da mesma forma que os fundamentalistas ou conservadores compreendem. Minha fé possui, sim, rebatimento em minhas posturas morais, éticas e políticas. E eu sou convidado por minha fé a viver minha vida – em todas as suas esferas – à altura daquilo em que creio. É claro que nem sempre acerto ou que sou perfeito nesse exercício, mas olho para a fé como um sinal que aponta para uma direção a ser seguida e não como uma marca no chão, indicando o fim de uma caminhada.



 
 
 

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