
“Andarão dois juntos se não estiverem de acordo?”
Os três Primazes que decidiram não ir à Reunião dos Primazes, realizada em Londres em março de 2022, resolveram responder ao parágrafo 6 do documento final da reunião que diz: “Continuamos a lamentar a ausência de três primazes que optaram por ficar longe”. Este lamento se refere aos Primazes da Nigéria, Uganda e Ruanda, cujas províncias representam cerca de 30 milhões dos estimados 70 milhões de anglicanos existentes em todo o mundo. O que este Comunicado não diz foram as razões pelas quais esses Primazes se recusaram a comparecer.
Por mais desejável que fosse, estes Primazes não foram ao Encontro de Primazes, nem irão, juntamente com seu Colégio de Bispos à Conferência de Lambeth 2022. E a razão disso tudo é que a Comunhão Anglicana não conseguiu se arrepender das questões que também exigiram sua ausência na Conferência de Lambeth de 2008.
As razões pelos quais as Províncias ligadas ao GAFCON boicotaram a Conferência de Lambeth de 2008 ainda são válidos, uma vez que nada mudou, realmente, sobre as questões que romperam o tecido da Comunhão. Muito ao revés, as coisas estão piorando.
Faz duas décadas que a Comunhão Anglicana está vivendo uma crise de unidade, fé e ética. Embora a questão alegadas seja o reconhecimento das relações homossexuais e a consagração de bispos gays ativos pela Igreja Episcopal (EUA) e províncias aliadas, a questão subjacente é o revisionismo bíblico, decorrente da secularização dentro da Igreja. Assim, para esses Primazes, a Igreja Anglicana no Ocidente se rebelou ao rejeitar crenças fundamentais como a autoridade da Bíblia, uma ética bíblica sólida, singularidade e o senhorio de Cristo como Senhor e Salvador. Esta condição é vista como uma forma de apostasia.
Portanto, o Comunicado emitido após a Reunião dos Primazes, em Londres, silenciou sobre a agenda proposta para Lambeth 2022, que é uma manobra para fugir da questão crucial da sexualidade humana, sugerindo que esta temática não estará na agenda da próxima Conferência de Lambeth, como se os problemas gerados pela negação da Resolução 1.10 da Conferência de Lambeth de 1998 pudesse ser desconsiderada. Em vez disso, Lambeth 2022 vai se concentrar em questões periféricas, como o meio ambiente e as dificuldades vivenciadas por comunidades desfavorecidas.
Para os anglicanos conservadores, o anglicanismo é um modo de vida que não prevê espaço para a agenda revisionista. Para eles, a Igreja é inequivocamente chamada a ser santa em política, pregação e prática.
Está ficando claro que Canterbury, que deveria moderar, mitigar e garantir a resolução de crises, está se tornando tolerante e cúmplice da arrogância dos revisionistas. Há indicações de que 'Bispos' homossexuais e talvez seus cônjuges tenham sido convidados para a próxima Conferência de Lambeth.
As Províncias da Nigéria, Uganda e Ruanda entendem ser parte dos remanescentes de Deus, com uma voz profética neste momento.
Eles encerram o documento, dizendo que estão orando para que a Igreja Anglicana seja guiada pelo Espírito de Deus e ser capaz de retornar à sua vocação de permanecer na Verdade do Evangelho, de acordo com o lema da Rosa dos Ventos da Comunhão Anglicana, que é: “Vocês conhecerão a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:3).
Assinado por :
++ Henry Ndukuba, Primaz, Igreja da Nigéria
++Laurent Mbanda, Primaz, Igreja de Ruanda ++Stephen Kaziimba, Primaz, Igreja de Uganda
Comments