PROCURANDO UM CERIMONIAL
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 13 de mai. de 2016
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Revdo. Pe Jorge Aquino
Como alguém diretamente ligado à casamentos e aos noivos, eu percebo a angústia por que passam alguns casais para escolher o seu Cerimonial. E é pensando em vocês que eu gostaria de dar algumas dicas a respeito deste tema.
Antes de mais nada precisamos saber o que é um Cerimonial. O Cerimonial é o nome que damos à uma empresa em que contratamos os Cerimonialistas, ou seja, os profissionais responsáveis pela organização de evento, quer seja ele oficial – ligado ao Município, Estado ou à União – quer seja um evento de público-privado. Compete ao cerimonialista, organizar todo o roteiro da cerimônia oficial ou não, e estabelecer, cronologicamente, todos os passos do evento.
Nos casos de eventos oficiais, o cerimonialista não é o responsável pelo evento, e sim o Organizador de Eventos (que é Bacharel em Relações Públicas ou Turismo com ênfase no setor) a quem cabe a responsabilidade de cuidar da contratação do cerimonialista, do eventual deslocamento das autoridades, chegada, movimentação e atos da autoridade no transcorrer da realização do evento. Ele deve ter amplo conhecimento em formação de mesa (onde sentam o governador, prefeitos, vereadores, e representantes civis, militares e religiosos); ordem de precedência no uso da palavra, colocação adequada das bandeiras do Município, do Estado e do Brasil; além das regras protocolares aplicáveis à etiqueta de cada cultura nas cerimônias
No entanto, em se tratando de “Cerimoniais” de festas (como quinze anos, formaturas e casamentos) o que eu posso dizer é que, a cada dia me surpreendo com algumas atitudes e posturas.
O primeiro dado razoavelmente escandaloso é que, na última vez que contei, existiam mais de 140 cerimoniais em Natal. Isso realmente é um absurdo e só revela que tem muita gente querendo ganhar dinheiro mas sem ter competência alguma. Normalmente são pessoas que trabalharam por algum tempo em algum bom cerimonial da cidade e resolveu abrir o seu próprio, para ganhar um dinheiro a mais no fim de semana. Portanto, o primeiro critério que um casal deve buscar antes de contratar um cerimonial para seu casamento é a experiência. Procure saber a quanto tempo esse cerimonial está no mercado e não se engane com sorrisos largos e preços baixos; isso não é sinal de qualidade e experiência.
Em segundo lugar, procure um cerimonial que respeite o rito de sua religião. Ora, sabemos que cada religião possui ritos próprios para a celebração matrimonial. Um Anglicano, um Batista, um Luterano ou um Romano (e eu coloquei em ordem alfabética), possuem ritos próprios que devem ser observados pelo ministro obrigatoriamente. O cerimonialista não tem autoridade para impor ao ministro elementos estranhos à liturgia de cada Igreja sem, ao menos, conversar com o ministro. Lamentavelmente posso testemunhar de cerimonialistas que me “comunicaram” que haveria um elemento na cerimônia, sem sequer perguntar se esse elemento cabia ou contrariava o rito. Um bom cerimonialista respeita o sacerdote ou pastor; ele não o trata como mero coadjuvante do evento – que não existiria sem ele -, mas procura, educadamente, saber se tal ou qual elemento pode ou não ser utilizado.
Em terceiro lugar, procure um cerimonial que não seja inseguro ou que minta. Explico. Depois de ter feito o contrato com os noivos, marcando o horário da cerimônia um determinado momento, antes da celebração, recebo uma ligação do cerimonial para confirmar o matrimônio, mas me dizendo um horário geralmente anterior ao que ficou acertado no contrato. Por que fazer isso? Ou bem é um cerimonial inseguro ou bem é pura mentira mesmo. Quero registrar que, em 25 anos fazendo casamentos, só cheguei atrasado uma vez, e foi com a ciência dos noivos, que insistiram que eu fizesse sua cerimônia, mesmo sabendo que eu teria um matrimônio anterior. Detalhe, atrasei dez minutos.
Em quarto lugar, procure um cerimonial honesto. Lamentavelmente existem cerimoniais que omitem dos noivos que os sacerdotes católicos romanos, não podem celebrar matrimônios fora da paróquia, e que esses matrimônios podem ser anulados por defeito de forma. Isso, por si só, já pode ser um grande problema para os noivos. Mas eles não são avisados. E pior, existem padres romanos que, mesmo sabendo da proibição, vão celebrar com esses cerimoniais, mentindo e pondo em risco a validade do matrimônio do casal. Esta desonestidade (ou ignorância) ocorre também porque eles sabem que um juiz de paz não é um juiz de direito e que aquele, por ser apenas um representante de um cartório, não pode celebrar o rito matrimonial como se sacerdote fosse. Essa “mímica” ou “pantomima” feita por alguns juízes de paz (que nem formados precisam ser) é omitida por alguns cerimoniais porque eles pensam apenas em seu dinheiro.
Em quinto lugar, procure um cerimonial que tenha um canal aberto para falar com você. Quantas noivas desesperadas eu já não ouvi reclamando que não conseguiam falar com seu cerimonialista? Eu próprio já liguei mais de 10 vezes, para dois números diferentes, durante três dias seguidos, e não consegui falar com um determinado cerimonial. Esse tipo de postura, no qual o cerimonialista simplesmente desaparece, gera muita insegurança aos noivos.
Finalmente, procure um cerimonial atento aos detalhes. Lembro que celebrei um matrimônio em que os noivos escolheram por não terem os encontros matrimoniais comigo e eu só os encontrei na hora do contrato e na cerimônia. Pois bem. Eles haviam resolvido escrever uma mensagem, um para o outro, que deveriam ser lidas depois dos votos de cada um. Assim sendo, depois que o noivo fez os votos sacramentais, passei o microfone para que ele pudesse ler sua mensagem para sua noiva. Foi uma mensagem linda! Mas, depois que a noiva fez os votos sacramentais ela se dirigiu a mim e me pediu o papel com a mensagem dela. Eu, simplesmente não sabia de nada. A noiva improvisou umas palavras e eu terminei a cerimônia. Ao final, procurei a cerimonialista responsável e perguntei porque ela não me havia dado o texto para entregar à noiva. Ela me disse que quando recebeu da noiva o papel, dentro de um envelope, pensou que era o pagamento de um dos fornecedores e guardou dentro da pasta, que estava no carro dela. Moral da história, até hoje este ato de desatenção ou irresponsabilidade da cerimonialista ainda é jogado na minha conta, porque a noiva me culpou. Como se eu tivesse resolvido simplesmente “jogar fora” a mensagem da noiva. Mas a cerimonialista nunca se retratou.
Em resumo, não se deixe levar por sorrisos largos de belas jovens vestidas de preto. Na hora de seu matrimônio, pense em contratar um cerimonial que tenha experiência, que respeite o sacerdote, que seja seguro do que faz, seja honesto, que tenha um canal permanentemente aberto com você e que esteja atento aos detalhes.
Por fim, devo registrar que conheço cerimoniais em Natal onde você pode encontrar tudo isso. Eles podem até não ser os mais baratos (e geralmente não são), mas são os mais competentes, atenciosos, cuidadosos, pontuais, respeitosos e a segurança de que seu casamento será um sucesso. Lembre-se, as vezes, o barato sai caro.


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