
Afirmação 4: Expressar nosso amor em adoração que é tão sincera, vibrante e artística quanto bíblica. (Gênesis 2:7; Êxodo 31:2-51; Apocalipse 18:22).
Como cristãos, nos esforçamos para responder à arte de Deus na Criação, integrando as artes na adoração, educação e proclamação. Encorajamos a recuperação da arte e da expressão artística em todos os empreendimentos cristãos, tanto pessoais quanto comunitários.
Afirmamos que o Caminho de Jesus se encontra onde os seguidores de Cristo tornam a adoração sincera e vibrante a Deus tão central para a vida de sua comunidade como Jesus fez. Afirmamos ainda a expressão artística como uma forma de refletir a criatividade, a alegria e a voz profética de Deus no que pode ser visto, ouvido, sentido, provado, cantado e falado.
Confessamos que nos afastamos do Caminho de Cristo quando deixamos de fazer da adoração o produto de nossos melhores esforços para experimentar e expressar amor a Deus, ao próximo e a si mesmo em comunidade com os outros. Afastamo-nos deste caminho quando consideramos as artes como triviais ou meramente tangenciais à vida de uma comunidade cristã madura.
Comentário:
A Afirmação de número 4 é a última da primeira sessão, ou seja, da parte que trata do nosso amor para com Deus. Nesse sentido, entendemos que, amar a Deus implicará em: “Expressar nosso amor em adoração que é tão sincera, vibrante e artística quanto bíblica”. Não há como questionar que nosso amor para com Deus nos leva, inevitavelmente a adorá-lo com toda nossa alma e todo nosso entendimento. Esta adoração, não pode ser apenas um gesto frio e mecânico que repetimos semanalmente ao lado de outras pessoas, mas a expressão de um coração que adora com quatro elementos fundamentais: Primeiro, nossa adoração é sincero. Como sabemos, a cera era utilizada pelo antigos quando se colocava “cera” em algo que deveria ser vendido para ocultar algum defeito. O comprador, sabendo disso, colocava o objeto no sol para quer o calor derretesse a cera. Dessa forma, dizemos que algo é sincero quando é “sem-cera”. Assim, nossa adoração deve ser a expressão clara de nosso ser e de quem efetivamente somos. Em segundo lugar, nossa adoração deve ser vibrante. Dizer isso é afirmar que nossa adoração é viva, tem intensidade e tem entusiasmo, ou seja, é motivada por Deus mesmo que está dentro de nós. Em terceiro lugar, nossa adoração é artística, ou seja, ela se serve de todos os elementos que a cultura nos apresenta para que nossa adoração seja bela e expresse o caráter de Deus. Assim, a música, a cor, os cheiros e todos os elementos que tocam nossos sentidos são invocados para nossa adoração. Por fim, em quarto lugar, nossa adoração é bíblica. Em outras palavras, muito embora nossa adoração seja plena de vibração e cor, de música e vivacidade, ela precisa estar de acordo com os elementos que são apresentados nas Escrituras.
Para fundamentar essa afirmação esta Afirmação apresenta os seguintes textos bíblicos para procurar fundamentar esta quarta declaração: Gênesis 2:7; Êxodo 31:2-51; Apocalipse 18:22. No primeiro deles, lemos que “o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente”. Com essa afirmação se deixa claro que o homem é obra das mãos de Deus e que sua origem está no pó da terra. Existe, portanto, uma ligação fundamental entre nós e nossa Terra. Foi Deus que nos criou, e nos fez conforme sua imagem e semelhança e, por isso Ele merece nossa adoração.
O texto de Êxodo 31:2-5 nos chama a atenção porque Deus chama a dentre seu povo alguém para realizar sua obra e do dota de dons bem específicos. “Eu escolhi a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhes destreza, habilidade e plena capacidade artística (Êxodo 31: 2, 3)”. O texto continua descrevendo o trabalho que deveria ser executado na Tenda do Encontro e que envolvia tecidos, prata, ouro, bronze e pedras preciosas, etc., falando o tipo de trabalho que ele deveria fazer e, ao fim do capítulo, estabelece o dia em que a adoração deve ser realizada e regras para adorar.
Em Apocalipse 18 lemos sobre a queda da grande Babilônia e de toda a sua riqueza, inclusive cultural. No entanto, no Novo Céu e Nova Terra, haverá uma glória muito maior do que aquela que existia em Babilônia, e isso envolve a arte musical e o louvor.
O texto da Afirmação continua dizendo que, na condição de cristãos, nos esforçamos para responder à ação artística de Deus na Criação, envolvendo e integrando as artes em três áreas fundamentais, quais sejam: na adoração, educação e proclamação. Desta forma, cada cristão é encorajado à recuperar e reaver a arte em todas as suas formas de expressão artística e em todos os empreendimentos e iniciativas cristãs, tanto na esfera pessoal quanto na comunitária. Como vemos, a arte é fundamental para que adora. Foi Fiodor Dostoiewski que afirmou, em um de seus livros chamado “O Idiota”, que “A beleza salvará o mundo”. Assim percebemos que, para ele, a beleza é uma forma de espiritualidade vivencial diária para os cristãos.
Em razão disso, continua a Afirmação de Phoenix, “Afirmamos que o Caminho de Jesus se encontra onde os seguidores de Cristo tornam a adoração sincera e vibrante a Deus tão central para a vida de sua comunidade como Jesus fez”. Assim, no Caminho Cristão, não há espaço para quem não deseja adorar intensamente e comunitariamente, de forma sincera e vibrante esse Deus. Ademais, continua o texto “Afirmamos ainda a expressão artística como uma forma de refletir a criatividade, a alegria e a voz profética de Deus no que pode ser visto, ouvido, sentido, provado, cantado e falado”. Desta forma, a arte é uma forma profética de expressão divina na sua mais plena diversidade.
Em razão disso, continua o texto, “Confessamos” que, deixar de fazer de nossa adoração o resultado para melhor experimentar e expressar o amor à Deus, é uma forma de nos afastamos do Caminho de Cristo. Esta expressão de adoração na forma de amor a Deus ao próximo e a nós mesmos, deve ser feita individual ou comunitariamente. Portanto, sempre que nos apartamos caminho, considerando as artes como triviais ou algo secundário frente à vida de uma comunidade cristã madura, laboramos em erro.
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