
Afirmação 2: Ouvir a Palavra de Deus que vem através da oração e meditação diária, através do estudo dos testemunhos antigos que chamamos de Escritura, e através da atenção à atividade presente de Deus no mundo. (2 Timóteo 3:16-17; 1 Coríntios 13:12).
Como cristãos, ouvimos a Palavra de Deus na presença viva do Espírito Santo, orando todos os dias e discernindo a atividade presente de Deus em nosso mundo. Também estudamos e reverenciamos os registros antigos que chamamos de Escritura, reconhecendo que eles foram formados em contextos históricos e culturais distintos, mas foram informados pelo Espírito de Deus, que transcende todas as eras e tempos. Acima de tudo, buscamos o significado da salvação, da vida, morte e ressurreição de Jesus, conforme apresentado nas Escrituras e discernido na vida diária.
Afirmamos que o Caminho de Jesus é encontrado onde os seguidores de Cristo se envolvem em oração e meditação diárias, bem como no estudo pessoal e comunitário e na interpretação das Escrituras, como formas centrais da voz contínua de Deus ser discernida na vida cotidiana.
Confessamos que nos afastamos do Caminho de Cristo quando afirmamos que a Palavra de Deus está restrita ao que pode estar contido em um documento escrito, ou que tanto o registro da Palavra de Deus nas Escrituras, quanto nossa interpretação dela, são infalíveis. Além disso, nos afastamos do Caminho quando permitimos que o mero fato da falibilidade das Escrituras, ou a nossa própria, nos dissuadir de buscar a Palavra de Deus nas Escrituras, oração e reflexão sobre a vida diária.
Comentário:
Refletindo sobre a segunda das 12 Afirmações de Phoenix, chegamos ao entendimento de que amar a Deus implica em “Ouvir a Palavra de Deus que vem através da oração e meditação diária, através do estudo dos testemunhos antigos que chamamos de Escritura, e através da atenção à atividade presente de Deus no mundo”. Nesta segunda afirmação existe uma clara intensão de se afirmar que nosso amor à Deus nos leva a “ouvir a Palavra de Deus”, tanto a que está presente nas Escrituras, quanto a que pode ser ouvida, hoje, no mundo.
Como foi previamente estruturada, esta segunda Afirmação vem acompanhada de três parágrafos já esperados. No primeiro parágrafo, se diz que “Como cristãos”, cada um de nós deve ouvir a Palavra de Deus “na presença viva do Espírito Santo”, nas expressões clássicas da oração diária e discernimento da ação divina presente em nosso mundo. Além disso, ressalta o texto, urge estudar reverentemente ao “registros antigos que chamamos de Escritura”, reconhecendo que são fruto de seus contextos históricos e culturais próprios, e, no entanto, foram “informados pelo Espírito de Deus” que agiu em cada tempo e circunstância. Ressalta-se, portanto, os aspectos ou contextos históricos e culturais como determinantes para se compreenda adequada mente sua mensagem. Nós, sobretudo na condição de Cristãos, devemos procurar o significado e o sentido “da salvação, da vida, morte e ressurreição de Jesus”, de acordo com a apresentação das Escrituras e compreendidas em nossa “vida diária”.
No segundo parágrafo encontra-se a afirmação de que que aquele que deseja seguir o “Caminho de Jesus”, poderá encontra-lo no exato lugar onde seus seguidores “se envolvem em oração e meditação diárias”, bem assim onde existir o “estudo pessoal e comunitário” e, por conseguinte, a “interpretação das Escrituras”, como formas ou instrumentos centrais para que possamos ouvir a “voz contínua de Deus” e fazê-la compreendida na “vida cotidiana”. Percebe-se claramente a relação existente entre o “Caminho de Jesus” e o envolvimento com uma vida de oração, de meditação e de estudo individual ou comunitário das Escrituras, como meios adequados para se ouvir a “voz de Deus”.
Finalmente, no terceiro parágrafo – e com base na afirmação e com base em nossa condição de Cristãos -, apresenta-se uma Confissão. Nela se diz que nós, efetivamente, “nos afastamos do Caminho de Cristo” todas as vezes em que afirmamos que a Palavra de Deus está aprisionada ou restrita a um documento escrito, ou que tanto o “registro da Palavra de Deus nas Escrituras”, bem como nossa interpretação deste texto possa gozar do status de absolutidade ou de infalibilidade. Além disso, confessamos também que nos afastamos do Caminho sempre que permitimos que o debate e a disputa acerca dessa “falibilidade” – dela ou nossa – nos impede de olhar para a direção correta, qual seja, buscar qual a Palavra que Deus tem para nós nas Escrituras, na oração e na reflexão sobre a vida diária.
Para dar suporte a essa declaração, esta Afirmação, se fundamenta nos seguintes textos bíblicos: 2 Timóteo 3:16-17 e 1 Coríntios 13:12. O primeiro deles é o conhecido texto no qual Paulo diz que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”. O que vislumbramos aqui, não é uma apresentação sistemática sobre a doutrina da inspiração das Escrituras, mas a declaração de que ela é útil para ensinar, repreender, corrigir, instruir sobre o que é justo, e para tornar o cristão apto para agir corretamente. No entanto, temos que ter a humildade de reconhecer que – e por isso foi acrescentado o segundo texto – tudo o que vemos, o vemos de forma obscura, como que por um espelho, fazendo-nos conhecer apenas “parte” da realidade, reconhecendo que somente conheceremos plenamente as coisas quando Deus as revelar no ultimo dia. Essa realidade deveria acalmar nossos debates e conflitos, revelando-nos que ninguém é proprietário da verdade absoluta.
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