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Os Sinais Vitais do Amor

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 2 de mai. de 2017
  • 3 min de leitura
Sinais vitais

Rev. Cônego Jorge Aquino

Um dos grandes debates que estão presentes no currículo de qualquer estudante de direito tem a ver com a questão da vida. Afinal, quando discutimos direito civil principiamos com esse tema. Quando surge a vida? Quando ela se esvai? Quais os sinais de que a vida ainda está presente? Pensando sobre isso os estudiosos da área médica podem ajudar os juristas afirmando que a questão da vida é uma questão que reside nas atividades neuronais e não nas atividades motoras tais como batimentos cardíacos ou movimentos respiratórios. Com isso em mente, acreditamos que também podemos pensar nos sinais vitais que acompanham a presença ou ausência do amor na vida de alguém. Acreditamos que existem pelo menos três elementos que atestam a presença do verdadeiro amor.

O primeiro elemento que, acredito, atesta a existência do verdadeiro amor é a admiração. Todo relacionamento que se acredita ser amoroso, envolve um grau de admiração. Isso significa que quem ama, antes de mais nada, admira a pessoa amada. Essa admiração tanto envolve aspectos subjetivos quanto objetivos. Subjetivamente, admiramos a postura pessoal, os valores, as crenças, as habilidade relacionais, a maturidade, bem como certos aspectos comportamentais que produzem mais segurança, tranquilidade e boas expectativas quanto ao futuro.

Objetivamente, admiramos as atividades profissionais e intelectuais de nosso cônjuge. Em outras palavras, sentimos orgulho ao ver que nosso(a) companheiro(a) é uma pessoa apta e capaz de realizar muito em sua área profissional. É muito triste quando vemos um marido ou uma esposa que ou bem despreza seu cônjuge porque nem aceita seus valores – ou anti-valores -, ou bem, não encontra nela uma pessoa que seja apta para acompanhar intelectual ou moralmente suas aptidões.

O segundo elemento que pode ser apontado como sinal de que o verdadeiro amor ainda existe é a reciprocidade. Falando de forma mais clara, não existe verdadeiro amor se esse amor é de “mão única”. Na verdade, a reciprocidade pode ser aplicada a qualquer forma de relacionamento. O relacionamento ou o amor que existe solipsisticamente, isoladamente, na espreita e sem que o “outro” saiba de sua existência, é um relacionamento doentio. Amor é proposta e resposta. Toda forma de amor que se espera sadio, exige uma reciprocidade. Não pode existir relacionamento nem amor entre um pai e seu filho, entre um homem e uma mulher ou mesmo entre irmãos, se não existir reciprocidade. Quem ama na solidão, sem receber nada em troca, apenas se doa, e dessa forma, se sente sugado e sorvido, sem nada receber em troca. Amor assim adoece e enferma as pessoas. Bom mesmo é quando temos a convicção de que somos amados na mesma proporção que amamos. É quando existe reciprocidade desse amor e quando temos a convicção de que, juntos, se pode enfrentar todas as dificuldades. Quando, no entanto, se tenta inúmeras vezes buscar a atenção do “outro” sem lograr êxito; quanto mendigamos uma palavra amorosa ou um momento à dois que nunca chega, estamos diante da falência relacional e do ocaso do amor.

Finalmente, o terceiro elemento que atesta a existência do verdadeiro amor é a transparência. Realmente não acredito que o verdadeiro amor possa conviver muito tempo com a incapacidade de se abrir e de comunicar quem de fato somos e o que realmente pensamos e fazemos. O amor produz, sim, uma forma de dependência na qual nos vemos impelidos a dar alguma forma de satisfação à pessoa que amamos. É muito estranho, por exemplo, um relacionamento no qual uma das pessoas desconhece quanto seu cônjuge ganha ou gasta, por onde ela anda ou deixa de andar e o que ela faz ou gosta de fazer. Um comportamento sem transparência é um sinal de que o amor está moribundo e prestes a morrer.

Mas, o pior mesmo é quando esses três elementos estão ausentes. Neste caso temos um “relacionamento” onde, por exemplo, um marido nem admira sua esposa – porque a julga inapta para alguma atividade intelectual ou profissional -, porque não lhe é recíproco, sonegando o tempo e a atenção necessários para satisfazê-la emocionalmente e, por fim, porque esconde dela as informações básicas que deveriam existir e que alimentam a confiança.

É muito simples dizer: “Eu te amo”, difícil mesmo é viver o que falamos. Por isso as Escrituras dizem: “Filhinhos, não amemos de palavras nem de boca, mas sim de atitudes e em verdade” (I João 3: 18). Amar com atitudes e em verdade exige que nosso amor seja pleno de admiração, de reciprocidade e de transparência. Sem esses três elementos, estaremos diante de qualquer outra coisa, exceto, do verdadeiro amor.

 
 
 

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