O SUCESSO PROFISSIONAL DO CASAL
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 31 de jan. de 2017
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Rev. Côn Jorge Aquino
Qualquer pessoa com uma sã consciência entenderia que ter sucesso na vida profissional é uma bênção de Deus. Muito mais quando os dois conseguem obter essa realidade.
Ocorre, porém, que o sucesso profissional do casal – embora seja algo desejável -, também pode acabar por criar alguns problemas para os quais nós devemos estar preparados para enfrentar. Eu diria que existem pelo menos cinco dificuldades que podem surgir quando o casal obtêm sucesso profissional.
Quando o marido é machista.
A primeira dificuldade surge se você estiver casada com um marido machista e você for uma mulher com sucesso profissional. Veja bem, não estou me referindo a um homem sem instrução e tosco em sua visão de mundo. Estou falando de homens que reproduzem o comportamento do homo sapiens sapiens dos últimos milhares de anos. O macho da espécie sempre foi o provedor e o mantenedor do lar. Ter uma mulher que ganhe mais pode significar, para muitos homens, uma situação de extremo desconforto que pode gerar dificuldades muito grandes.
Quando a mulher é machista.
Caso você não saiba, muitas mulheres são machistas. Elas foram criadas e educadas para serem “sustentadas” por seus maridos. O problema é que, no atual universo laborativo, não é incomum ver mulheres que ganham mais do que seus maridos. Isso, em princípio, não deveria gerar nenhuma dificuldade. Mas quando a mulher é machista ela acaba por desenvolver um comportamento de desrespeito, humilhação e rebaixamento de seu marido. Isso significa que ter uma mulher que ganhe mais pode significar, para elas, uma situação de extremo desconforto que pode acabar gerando grandes dificuldades conjugais.
Quando impomos nosso emprego sobre o do outro.
Certa vez fiz o casamento de um jovem casal que viveu esse dilema. Ela era uma engenheira que prestava serviço para uma empresa brasileira e o noivo era um professor universitário federal. Ocorre que ela, por ser uma ótima profissional, acabou por ser convidada para ser gerente geral da empresa, que ficava na Europa. O que fazer com o casamento? Ambos pararam para pensar por dois dias e examinaram cada alternativa que se apresentava diante deles. Por fim, eles resolveram casar; ela deveria aceitar o convite para trabalhar na Europa; ele pediria dois anos de licença não remunerada e iria com ela e, enquanto ela estava trabalhando, ele fazia um doutorado na sua área. Se, depois de dois anos, tudo estivesse indo bem, ele voltaria ao Brasil e pediria demissão. Caso contrário, ele voltaria com um aumento em função de seu doutorado e ela com um currículo muito mais enriquecido. Mas ambos perceberam que o sucesso profissional de um não pode acontecer em função do insucesso profissional do outro. Tudo tem que ser conversado. Qualquer tipo de imposição oriunda de uma condição mais privilegiada é uma forma de diminuição do outro, e isso, a longo tempo, pode gerar problemas conjugais.
O que fazer com o que ganhamos?
Em quase trinta anos fazendo casamentos, só vi dois casais ganharem o mesmo salário. Normalmente um ganha mais do que o outro. Mas como gerir essa diferença e o que fazer com o dinheiro? Eu já convivi com, pelo menos, três tipos de casais. Primeiro, aqueles que juntam todo o dinheiro que ganham sobre a mesa, pagam as contas e dizem: “o resto é nosso. Nós vamos decidir o que fazer”. Também já vi casais que tinham uma vida financeira absolutamente autônoma. Ele pagava suas contas pessoais, ela também pagava as suas, e ambos dividiam as contas conjuntas. O que sobrava de cada um ficava com cada um e o outro não tinha nada a ver com isso. Mas já vi, também, casais que dividiam tudo em percentual. Se ele, por exemplo, fosse responsável por 3/5 da receita, ele se responsabilizaria por 3/5 da despesa e o mesmo ocorreria com ela. De tal forma, ambos estariam contribuindo com o mesmo percentual para a relação.
A questão do tempo
Mas o maior problema que o sucesso profissional pode trazer para as famílias modernas é a falta de tempo. Passamos mais tempo no trabalho ou no deslocamento “para lá” e “de lá”, que simplesmente não nos sobra mais tempo para estar com a família. Isso quando os colegas de trabalho não pioram as coisas convidando o marido para um “futebolzinho” com o pessoal da empresa. Muitas crianças crescem apenas assistindo TV ou na presença de uma babá. Seus pais são completos desconhecidos. E pior, com o tempo, os próprios cônjuges tornar-se-ão desconhecidos um para o outro.
Moral da história: ter sucesso profissional e financeiro é algo muito bom, mas em alguns casos ele cobra um preço muito elevado. Cabe a cada um escolher, a cada instante, qual a prioridade de sua vida. Particularmente, querido leitor, espero que você não pense duas vezes em escolher a companhia de sua família, de seu marido, de sua esposa e filhos. Afinal, quando tudo isso passar, somente a família é que interessa. Portanto cuide de seu cônjuge como quem cuida de um investimento, será ele (ela) que estará ao seu lado na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza e na prosperidade ou na pobreza. O sucesso, de nada valerá nesse momento.


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