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O QUE É SER ANGLICANO?

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 12 de dez. de 2016
  • 2 min de leitura

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Rev. Côn. Jorge Aquino

Há muitas pessoas em nosso país que não entende muito bem o que significa ser um Anglicano. Pensando nelas, procurarei apresentar de forma bem sucinta uma exposição sobre esse tema levando em conta os elementos essenciais.

Em primeiro lugar, é importante compreender que “Anglicanos” era o nome dado aos Cristãos que viviam na “Anglia”, ou seja, os “Anglos”, mais tarde, Ingleses. A Igreja Anglicana, portanto, é a vertente do Cristianismo que se desenvolveu nas ilhas Britânicas desde o início do segundo século.

Em segundo lugar, é importante registrar que, o Anglicanismo hoje, é o resultado do acúmulo benfazejo de três afluentes que se somaram e formaram um rio caudaloso. Essas vertentes foram a tradição Celta primitiva, a tradição Romana medieval e a Reforma Protestante. Somos hoje, uma igreja Católica sem ser Romana e uma Igreja Reformada sem ser cismática. Por isso J.I. Packer diz que “O anglicanismo contém a mais rica, a mais vasta e a mais sábia herança de toda a cristandade”.

Em terceiro lugar, nós não temos um teólogo oficial, mas uma forma de fazer teologia. Em função disso, a teologia Anglicana é devedora à três pilares fundamentais: as Escrituras, a Tradição e a Razão.

Em quarto lugar, os Anglicanos entendem que sua identidade está fortemente associada ao seu culto (lex credendi lex orandi), o que significa que quando queremos buscar a essência do que significa ser Anglicano, devemos nos voltar para o Livro de Oração Comum.

Em quinto lugar, os Anglicanos são fortemente ligados a quatro afirmações de fé conhecidas como “Quadrilátero de Lambeth”. Essas quatro declarações afirmam que a identidade anglicana também tem limites. E esses limites são: 1) afirmamos que as Escrituras são Palavra de Deus; 2) afirmamos que os Credos Apostólico e Niceno são confissões resumidas e apropriadas de nossa fé; 3) afirmamos os sacramentos do Batismo e da Eucaristia como instituídos por Cristo e, finalmente, 4) afirmamos que somos uma igreja episcopal – que zela pela sucessão apostólica -, e não um amontoado de comunidades formando um sistema congregacionalista.

Finalmente, em sexto lugar, somos uma igreja que mantém sua fé e, contudo, continua aberta ao diálogo, à compreensividade e à inclusividade. Não somos uma igreja com “dogmas”, “concílios” ou “bispos” infalíveis. Não temos a prática de “excomungar” pessoas nem de proibir qualquer manifestação de seu clero. Nenhum reverendo anglicano, portanto, precisa de um “imprimatur” de seu bispo para poder dizer o que pensa. Somos uma igreja de pessoas livres. No entanto, e até por isso, somos uma igreja que durante toda a sua existência cometeu erros, comete erros ainda hoje e, certamente, cometerá amanhã. Mas, cremos que Deus nos chamou mesmo com nossos erros e imperfeições.

Se você se sentiu incluído no que foi dito acima, sinta-se convidado a conhecer a comunidade Anglicana mais próxima de sua residência e viver a fé cristã da forma mais séria e vibrante que você puder. Saiba que você fará parte da segunda igreja em extensão no mundo (mais de 130 países) e a terceira em número de membros (mais de 90 milhões de pessoas). Nós o esperamos com os braços abertos.

 
 
 

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