O que é ser Anglicano?
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 18 de jun. de 2017
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Atualizado: 3 de mar. de 2020

Rev. Côn. Jorge Aquino Esta é uma pergunta intrigante. Durante o período que costumamos chamar de “Modernidade”, as identidades eram definidas por aspectos racionais e intelectuais. Nestes dias de “Modernidade líquida”, definir a identidade tanto de uma religião quanto de uma pessoa, se torna bem mais difícil. Em primeiro lugar devemos dizer que ser anglicano não significa simplesmente afirmar a crença nos elementos dos credos Apostólico e Niceno. Se assim fosse todos os Romanos, Ortodoxos e Protestantes seriam anglicanos. Todas estas igrejas creem em “Deus Pai Todo-Poderoso Criador dos Céus e da Terra”, etc. Pela mesma razão, em segundo lugar, ser anglicano também nada tem a ver com a crença no “episcopado histórico”. Os romanos e ortodoxos também creem assim e não são anglicanos. Todos as denominações cristãs afirmam que as Escrituras do Antigo e do Novo testamento possuem todas as informações necessárias para nossa salvação. E elas não são anglicanas. E todas elas acreditam que o batismo e a Eucaristia foram sacramentos instituídos por Cristo, anda que administrem de forma diversa. O que nos resta, então, se a “credenda” anglicana é a mesma das demais denominações cristãs? Resta a “agenda”, ou seja, a nossa prática revelada historicamente e ligada à sua liturgia. Por isso acredito que “ser anglicano” não se define pela crença que afirmamos, mas pelo nosso etos (maneira histórica de ser e viver) que é diverso, inclusivo e compreensivo. A maior parte dos anglicanos no mundo não são contra os métodos contraceptivos; não negam a comunhão ou o segundo casamento aos divorciados; não negam a comunhão nas duas espécies; não proíbem o casamento de seus sacerdotes; celebram a liturgia na língua do povo e não se consideram a única igreja que representa Deus na terra. Na administração os anglicanos defendem a existência de Igrejas nacionais autocéfalas com uma “autoridade dispersa” que nega o poder absoluto dos bispos, aproximando-se mais – na esfera sacular – de um parlamentarismo constitucional do que de uma monarquia absolutista. Quero afirmar que sou um Cristão Anglicano Reformado, e nessa ordem. Sou Cristão porque o Cristo confessado nos Credos históricos é meu salvador pessoal; sou Anglicano, porque aceito toda a “agenda” anglicana sem qualquer problema e porque me identifico com sua tradição cúltica, histórica e cultural, e sou Reformado porque estou ligado à uma Igreja que mantém os elementos da Reforma do século XVI, quais sejam, somente as Escrituras, somente a Graça, somente a Fé, e somente Cristo. Esse é um movimento que aceita o “mote” da reforma e entende que uma igreja reformada está sempre se reformando. Hoje continuo Ministro Anglicano e ligado fraternalmente a muitas outras igrejas Anglicanas pelo mundo que defendem estas mesmas ênfases.


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