O papel pedagógico dos nossos inimigos
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 28 de jan. de 2018
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Rev. Padre Jorge Aquino.
O Apóstolo são Paulo escreveu certa vez que todas as pessoas “que almejam viver piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidas” (II Tm 3:12). Na verdade o próprio Jesus já avisara a seus discípulos que “Não é o servo maior que o seu Senhor; se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15:20). Parece que uma das consequências naturais de se viver segundo os padrões e os valores do Reino de Deus é, inevitavelmente, enfrentar pessoas descontentes e até criar inimigos. Por isso o Reverendo Martin Luther King dizia que “para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa”.
A escritora e crítica literária espanhola Care Santos, escrevendo sobre isso disse que se alguém conseguir chegar aos 30 anos sem ter alguns bons inimigos, tal pessoa é digna de piedade. Parece que a nossa simples existência feliz ou tranquila, faz despertar em certos grupos de pessoas, os sentimentos mais baixos que podemos imaginar.
Desenvolvendo uma perspectiva mais proativa, Dalai-Lama escreveu: “Nunca devemos usar nossos inimigos como desculpa para não praticarmos a calma, nem dizer que eles são a causa de nossa irritação. (…) Encontrar um verdadeiro inimigo é tão incomum que deveríamos nos alegrar por tê-lo e apreciar os benefícios que ele nos oferece”. Mas, pergunto, o que um inimigo pode nos oferecer? A capacidade de crescer em paciência e de nos tornarmos pessoas melhores. Para o Lama, assim como um mendigo é a oportunidade de exercermos nossa generosidade, um inimigo é a possibilidade de exercitarmos nossa paciência. Na realidade, não podemos usar as mesmas armas e ter a mesma conduta infame de quem nos odeia. Cabe a nós, crescer com essa realidade.
Dito isso, lembremos, por fim, do poeta e filósofo libanês Khalil Gibran que afirmava ter aprendido “o silêncio com o falastrão, a tolerância com o indolente e a amabilidade com o grosseiro”. Sim, estas pessoas com valores fundados na vingança e na maldade podem nos ensinar muito! Que estejamos abertos a aprender até mesmo com aqueles que resolveram se tornar nossos inimigos.


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