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O Cristão e a raiva

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 30 de dez. de 2017
  • 2 min de leitura
raiva

Rev. Padre Jorge Aquino

Geralmente associamos um sentimento como a “raiva” a algo absolutamente estranho à vida cristã. Não imaginamos que um cristão verdadeiro possa sentir raiva em algum momento de sua vida. Mas, para sermos honestos, precisamos reconhecer que as coisas não são bem assim.

Em um texto bastante interessante, o reverendo Ian Punnett, ministro da Igreja Episcopal nos Estados unidos, nos dia que existem dois tipos de raiva: a positiva e a negativa. De fato, ele entende que “a raiva pode ser uma reação perfeitamente apropriada” se estivermos tratando de uma raiva positiva. Mas qual a diferença entre as duas?

Quando ele fala em uma “raiva positiva”, ele s refere a uma “emoção de autopreservação, que leva o indivíduo a defender seu valor, suas necessidades e suas convicções pessoais”. Esta tese, defendida pelo terapeuta Dr, Les Carter, na realidade, aponta para uma afirmação da própria auto-estima, diante de alguém ou algo que pretende nos reduzir a algo sem valor.

Acerca da raiva negativa, Punnett diz que ela é “a raiva que destrói o outro e causa sofrimento, porque é uma raiva ‘expressada de modo agressivo, com gritos, críticas, impaciência, agitação, aborrecimento, irritabilidade e grosseria’”. Esse tipo de raiva é aquele que costumamos ver nos reality shows. Ele é o responsável pelo final de inúmeros casamentos e pelos inúmeros danos presentes em uma miríade de filhos e filhas.

Precisamos compreender que a raiva não é algo necessariamente mal, afinal, ela ativa nossas necessidades de autopreservação, e isso é algo essencialmente bom. Segundo diz Punnett, estamos nos auto preservando “quando não permitimos que outra pessoa nos defina de forma negativa, quando, por exemplo, nos opomos a uma pessoa que diz ‘Você nunca conseguirá ser algo’, ‘você não é uma pessoa boa’, ou ‘Você não merece ser amado’. Assumir uma posição e defender-se é o primeiro passo para não ser desrespeitado pelos outros”.  O que queremos dizer é que, com a raiva positiva, transmitimos a ideia de que nossas necessidades precisam ser levadas a sério e respeitadas. De fato, a raiva positiva tem a capacidade de reestabelecer a harmonia nos relacionamentos fragmentados. Em outras palavras, nunca haverá paz se não houver, antes, a justiça. A maioria das pessoas entendem que a raiva e o amor não podem andar juntos. Mas são Paulo nos incentiva a “seguir a verdade em amor” (Ef 4:15), o que significa que dizer a verdade não implica em abandonar o amor. Pelo contrário, por amor, somos sempre impulsionados a falar sempre a verdade.

Vemos, portanto, que o problema não reside em sentir raiva ou não, mas em sentir algo que seja produtivo, positivo e proativo. Dessa forma, nossos relacionamentos sempre tenderão a ser melhores.

Referência Bibliográfica:

PUNNETT, Ian. Deus esqueceu de mim. Ou será que o problema sou eu? Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2015

 
 
 

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