O CASAMENTO
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 8 de jun. de 2016
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Rev. Padre Jorge Aquino
Eu comecei a fazer casamentos em 1991 e até hoje, penso que fico mais preocupado do que a noiva para que dê tudo certo naquele dia. É que hoje, para mim, presidir uma cerimônia de casamento é um grande privilégio. Como ministro de Deus e membro do Movimento Anglicano Continuante no Brasil sei que, quem é ordenado padre é ordenado padre “para sempre”, como reza a sã doutrina da igreja. Por isso nunca me furtei e jamais me furtarei a abençoar um casal que queira receber a bênção de Deus para sua vida conjugal.
Para mim, presidir uma cerimônia de casamento é um grande privilégio, em primeiro lugar, porque estou, de alguma forma, participando de um momento único na vida de um casal. Quando tenho meus encontros com os casais, em minha casa, converso com os dois como quem conversa com pessoas que ficarão juntas até o fim de seus dias. Por isso o dia do casamento é tão importante. Eu sempre imagino aquele casal, 50 anos depois, vendo as fotos do casamento e lembrando de minhas palavras. É uma grande responsabilidade! Eu quero que aquele momento seja único na vida dos dois. E ele há de ser…
Presidir uma cerimônia de casamento é um grande privilégio para mim, em segundo lugar, porque é um momento em quem se abençoa um casal. Embora a maioria das pessoas não saibam, os ministros do casamento são os próprios noivos, não o padre. Isto não retira a importância do sacerdote enquanto ministro de Deus. De fato, faço questão que todos estendam as mãos para abençoar os noivos para que eles saibam que estão recebendo a bênção de Deus, da família e dos amigos. E eu sei como é gratificante ter um casamento abençoado, tanto quando sei o quanto é terrível ter um casamento em crise. Mas quando Deus ocupa o primeiro lugar na vida de um casal, todas as dificuldades podem ser superadas.
Presidir uma cerimônia de casamento é um grande privilégio para mim, finalmente, porque o casamento é uma cerimônia que atesta a vitória do amor, do companheirismo, da cumplicidade e da afetividade em uma sociedade cada vez mais individualista e hipócrita. Vivemos em uma sociedade de relacionamentos “fluidos”, como afirma Zygmunt Baumann. Em uma sociedade assim nos enganamos a nós mesmos pensando que temos 500 amigos no facebook, quando, de fato, estamos sós. O casamento é o espaço em que a solidão e vencida pelo companheirismo e pelo amor. Eu realmente acredito hoje que a família é o único espaço de sanidade e de crescimento nesta sociedade cada vez mais individualista e falsa e que meu cônjuge é a única pessoa a quem eu, de fato, posso chamar de amiga e companheira.


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