O BISPO COMO “PAI EM DEUS”
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 10 de jun. de 2016
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(Arcebispo Patrício Viveros)
Rev. Padre Jorge Aquino
Muitas pessoas estranham a expressão “Pai em Deus”. Ela é uma antiga expressão utilizada para distinguir alguns aspectos dos bispos, nas Igrejas Cristãs de tradição Católica (Anglicanos, algumas igrejas Luteranas, Ortodoxos, Romanos e Vétero-Católicos). De fato, nos primeiros séculos do Cristianismo o múnus do ensino, ou a tarefa de ensinar era uma prerrogativa dos sucessores dos Apóstolos, ou seja, os bispos. Por isso eles foram os primeiros a receberem o título de “Pai”. E isso aconteceu por quatro razões, segundo Jean-Yves Leloup:
Primeiro, porque, como chefe ou “cabeça” de uma comunidade particular (Diocese) eles se assemelharam aos antigos Patriarcas das doze tribos de Israel.
Em segundo lugar, porque os bispos eram os presidentes da Eucaristia, ou seja, do memorial das maravilhas do que Deus fez por nós. Desta forma eles assumiam a mesma posição dos pais de família que presidiam a refeição pascal entre os judeus.
Em terceiro lugar, os bispos também são chamados de “pai” porque têm a responsabilidade de transmitir aquilo que receberam dos apóstolos, fazendo com que os fiéis cresçam até a “estatura plena” do Filho.
Finalmente, os bispos são “pais” porque são modelos tanto da verdade quanto da misericórdia. Eles receberam de Cristo a responsabilidade de manter a unidade dos filhos de Deus na verdade – sendo eles próprios o sinal dessa unidade -, quanto receberam a responsabilidade de, como o Bom Pastor, cuidar das ovelhas e dar sua vida por elas.
Afinal, segundo São Clemente de Alexandria, escrevendo em suas Stromata, “As palavras são a progenitura da alma. Assim, damos o nome de ‘pai’ àqueles que nos instruíram e todo homem que recebe instrução é filho de seu mestre” (CLEMENTE In, LELOUP, 2003, p. 29).
Referência Bibliográfica:
LELOUP, Jean-Yves. Introdução aos verdadeiros filósofos. Petrópolis: Vozes, 2003


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