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NEUTRO, IMPARCIAL OU COVARDE?

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 3 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de mar. de 2022

Padre Jorge Aquino.

Discutir esses três temas é um desafio, já que muita gente confunde os dois primeiros e outros não conseguem compreender quando se está agindo em conformidade com a terceira postura. Para discutir esse tema, iniciaremos com o primeiro tema. O senso comum nos ensina que uma postura neutra é aquela na qual não se toma um partido nem se assume uma postura a favor de um dos lados. Esta postura simplista afirma também que o neutro é aquele que se comporta de forma imparcial, se se posicionar a favor ou contra qualquer um dos lados.

Quando saímos desta postura simplista e abandonamos o senso comum para buscar o senso crítico, aprendemos o que qualquer pessoa, de qualquer formação claramente entende. Começo me referindo a um escritor chamado Henry Moret, que afirmou: “Ninguém consegue ser neutro. O silêncio é uma opinião”. No entanto, se você acredita que estas palavras parecem ser muito ideológicas, vamos buscar as considerações de um dos mais ilustres pais da sociologia alemã, o jurista e economista Max Weber – conservador e capitalista -, para quem “Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”. Seguindo esta postura, encerro citando a afirmação de um dos maiores presidentes dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que, sobre o tema dizia: “A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustenta-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado”. Na verdade, ser neutro em uma clara situação de injustiça é o mesmo que estar ao lado de quem oprime e explora. Assim, quando assumimos uma postura mais crítica aprendemos que a neutralidade é algo impossível. Todas as nossa posições são mobilizadas por alguma razão, seja ela de que natureza for: econômica, política, religiosa, prática, pessoal, etc.

O segundo tema também é uma questão bastante imprecisa, para muita gente. O que queremos dizer com imparcialidade? Antes de mais nada, a imparcialidade não é a mesma postura que a neutralidade. O neutro se abstém de assumir uma posição. O imparcial, não. O imparcial é aquele que trata com equidade. É aquele que, sem julgamento a priori, permite que as partes apresentem suas posturas com igual condições, com a finalidade de buscar a justiça. Assim, existe um aspecto teleológico nesta postura. O imparcial não é aquele que prefere ficar sentado perpetuamente sobre o muro, mas aquele que ouve a exposição e a argumentação de ambas as partes com a finalidade de assumir uma posição. A imparcialidade exige honestidade suficiente para se conhecer a verdade e fazer julgamentos justos e corretos. Se a neutralidade é uma quimera e algo impossível de se atingir, a imparcialidade é uma obrigação de quem julga e de quem precisa assumir posições. Portando, a imparcialidade exige que as partes exponham claramente suas posições a fim de que uma postura justa e firme seja tomada.

No entanto, existe uma terceira posição: a covardia. Esta postura é definida como aquela na qual se expressa falta de coragem. Ao covarde falta ousadia e sobra medo. Ele não confronta, se esconde e se esquiva de ter que assumir posturas. Ele nada diz, nada faz, e se diz, procura se esconder atrás da palavra “neutro” ou “imparcial”. Se você já leu os parágrafos anteriores sabe que o covarde é diferente do imparcial e do neutro. Do imparcial, porque ele quer evitar assumir uma posição; do neutro, porque a neutralidade não existe. Assim, o covarde é parecido com Pilatos, que lava suas mãos, quando as multidões demandam uma posição.

Quando fazemos a faculdade de Direito, aprendemos que a postura de um juiz jamais poderá ser a de alguém neutro, vez que neutralidade não existe. Ao juiz cabe ouvir os argumentos das partes e, imparcialmente, buscar dizer a justiça, ou seja, jus dicere ou adjudicar. O mesmo se espera de um chefe de Estado. Dele se espera, não que ele se esquive, se esconda ou se acovarde, mas que seja capaz de observar os fatos políticos/militares e assumir uma postura ao lado do que pontua e postula o Direito Internacional. Assim, quando você estiver assistindo a televisão ou lendo as mensagens em seu celular, não se deixe enganar. No mundo ao seu redor não há neutralidade, mas uma demanda por pessoas imparciais que sejam capazes de buscar a verdade julgar entre o certo e o errado. Quanto aos covardes, bom, nem associado ao medroso ele pode ser. Pois, como já dizia Mahatma Gandhi: “O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não”.


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