DIA DE JOHN WYCLIF, TEÓLOGO E PRÉ-REFORMADOR
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 31 de dez. de 2016
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No dia de hoje, os Anglicanos de todo o mundo celebram a memória de John Wyclif (1328-1384). Nascido em Yorkshire, ingressou no Balliol College, em Oxford, onde se tornou “master”. Em pouco tempo de ensino suas salas ficavam lotadas e ele passou a ser reconhecido como o mais competente teólogo do corpo docente daquela Universidade. Paulatinamente, passou a ser conhecido fora da esfera acadêmica e em 1374 foi nomeado pelo rei para a reitoria de Lutterworth, onde tornou-se conselheiro teológico do rei em Burges. Sua atuação crítica teve início, afirma Walker, em 1376, quando “a riqueza da Igreja e a interferência clerical na política, especialmente a dos papas, provocaram sua oposição. Diante das críticas levantadas pelo papa, Wyclif asseverou que as Escrituras são a única lei da Igreja. A Igreja, dizia ele, não tem como centro, como popularmente se pensava, o papa e os cardeais. Ela é todo o conjunto dos eleitos. Em 1382, frente ao Cativeiro a ao Cisma, atacou a autoridade do papa afirmando em um livro, diz Earle Cairns, “que Cristo e não o papa era o chefe da igreja. Afirmou que a Bíblia e não a Igreja era a autoridade única para o crente e que a Igreja Romana deveria se modelar segundo o padrão da Igreja do Novo Testamento”. Ainda nesse ano, ele terminou a primeira tradução completa do Novo Testamento para inglês. Sobre sua crença em torno da eucaristia, negava a transubstanciação e afirmava que “a substância dos elementos era indestrutível e que Cristo estava espiritualmente presente no sacramento” (Cairns).
Embora condenado em 1382 e tendo sido obrigado a entregar sua paróquia, ele continuou a pregar suas ideias por meio por meio de um grupo de pregadores leigos chamados lolardos, que se espalharam por toda a Inglaterra. Em represália, o parlamento inglês estabeleceu a pena de morte para quem pregasse as teses de Wyclif.
Ele, que legou à Inglaterra as primeiras teses da Reforma, a bíblia na língua do povo, uma nova visão da igreja enquanto povo – e não o clero -, as teses evangélicas de que todos são iguais de uma perspectiva econômica, que influenciaria a revolta dos camponeses em 1381 e, por fim, sua grande influência sobre os alunos da Boêmia que estudavam na Inglaterra e que, ao voltarem para sua terra, difundiram as ideias de Wyclif, lançando fundamento para o pensamento de João Huss. Ele só não foi fisicamente atacado em razão do forte apoio popular que tinha. No entanto, como suas ideias influenciaram a Boêmia, para impedir suas teses a Igreja convocou o Concílio de Constança (1414-1418) que, em um de seus decretos – feito pelo papa Martinho V-, declarou que Wyclife era um herético e que todos os seus escritos fossem queimados e que seus restos mortais fossem exumados, queimados e jogados no rio Swift, que banha a paróquia onde ele trabalhou, Lutterworth.


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