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CONSIDERAÇÕES SOBRE 15 DIAS DE GUERRA

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 10 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de mar. de 2022

Padre Jorge Aquino.

Faz quinze dias que tudo começou. Todas as autoridades europeias avisavam e falavam sobre uma eminente invasão da Rússia em território ucraniano. Apesar de todos os avisos, o presidente Vladimir Putin negava e dizia que estava havendo uma “histeria” no Ocidente. O único embaixador que expressava sua descrença nesta invasão era, lamentavelmente, o embaixador brasileiro na Ucrânia. Assim, enquanto dezenas de outros países orientavam seus cidadãos para buscar suas embaixadas e deixar a Ucrânia, nosso corpo diplomático não viu nenhum tipo de perigo e não se mobilizou para retirar os brasileiros da Ucrânia de forma tempestiva e segura.

Mas, eis que aquilo que todos diziam acabou se concretizando e quinze dias atrás, a Rússia invadiu a Ucrânia, um Estado independente, soberano e democrático, sem que tenha havido qualquer motivo. E o que vem ocorrendo nestas duas semanas, em várias áreas desse lindo país, é um constante bombardeio de áreas civis, hospitais, maternidades, escolas e prédios civis. E ainda afirmam que as bombas são guiadas apenas sobre alvos militares. Tem havido um intenso fogo de artilharia e um constante desrespeito aos corredores humanitários – que foram acertados entre as partes. Há registros de utilização de bombas de fragmentação e de armas termobáricas, amplamente condenadas pelas instituições de direitos internacionais, sem falar da ameaça de utilizar armas nucleares. Além da eliminação da população civil da Ucrânia, um dos gestos mais atrozes das tropas russas tem sido, também, o estupro das mulheres e crianças. Uma das brasileiras – que é médica - repatriadas por um voo que chegou ao Brasil hoje (10/03), relatou e denunciou a agressão sexual de mais de 15 soldados russos contra uma criança de apenas 8 anos de idade. Por outro lado, uma imensa gama de países e organizações estrangeiras vem impondo uma gama de sanções de todas as naturezas sobre a Rússia. Assim, foram aplicadas desde sanções esportivas e até econômicas, com a finalidade de enfraquecer o presidente russo frente à opinião pública.

Dentro da Rússia, a ação ditatorial do gangster que está no poder a mais de 20 anos – e que alimentou seus amigos (os oligarcas) com a distribuição dos negócios do Estado russo, produzindo o surgimento de super-milionários e da máfia russa – se concentra em fazer calar toda forma de oposição. Eis porque todos os seus oponentes são envenenados ou assassinados. A população foi às ruas e em reação milhares foram presos, já que na Rússia, não existe o direito de questionar o governo. Putin criou uma lei que pune com 15 anos de cadeia quem usar a palavra “guerra”, ao invés de “operação militar especial”, para inibir os meios de comunicação e a opinião pública, confirmando que nesse país não existe liberdade de expressão e a censura é implacável.

Quando observamos a retórica oficial dos negociadores russos, percebemos que suas exigências são absolutamente absurdas. Os russos – que deram causa a essa guerra -, querem que a Ucrânia elimine a existência de seu exército (desmilitarização), faça uma mudança em sua Constituição afirmando que nunca se aliará à OTAN ou à União Europeia e ceda os territórios já ocupados de Donestsk, Luhansk e da Criméia. Em outras palavras, para a Ucrânia só existe a possibilidade de ceder para encerrar as hostilidades.

Ocorre que, ao que tudo indica, o presidente Vladimir Putin não imaginava que as coisas ocorreriam como estão ocorrendo. Primeiro, ele não previu que essa guerra demoraria tanto tempo assim. Ele imaginava que a Ucrânia iria se render rapidamente diante da esmagadora superioridade militar que a Rússia tem, sobre o exército ucraniano. Segundo ele não previu a enorme resistência criada pelo presidente Volodymyr Zelensky, um ator e comediante que assumiu a presidência desde 2019. A atuação de Zelensky tem sido fundamental para fortalecer tanto o movimento de reação entre o povo ucraniano, bem como mobilizando os líderes Ocidentais para que ajudem o povo ucraniano. Em terceiro lugar, Putin não contava com a forte resistência que ele vem encarando tanto pelas tropas ucranianas quanto pela população civil, fruto tanto do exemplo de seu presidente quanto do caráter heroico do povo ucraniano. Em outras palavras, Putin até poderá ganhar a guerra de uma perspectiva militar, mas ele já é um perdedor na esfera política e midiática. Isso porque, se ele pretendia enfraquecer a OTAN, o que tem ocorrido é justamente o contrário: as nações ligadas à OTAN estão se armando ainda mais, outros países – ex-repúblicas da antiga União Soviética – estão se aproximando da OTAN e boa parte dos países da União Europeia estão enviando armas e fundos para a resistência civil e para o exército ucraniano.

Assim, na esfera internacional, a Rússia é vista hoje como um pária que não tem o apoio de quase nenhum Estado independente. Salvo a abstenção da China e de mais dois países, todos as nações que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU votaram a favor da resolução que condena a invasão da Ucrânia. Somente a Rússia votou contra. E, já que a Rússia tem o poder de veto, a resolução não passou, mas demonstrou o isolamento político que a Rússia encara hoje.

Esperamos que em breve, essa guerra injusta e absurda chegue ao seu fim. Esperamos também que isso ocorra de forma negociada e com o devido respeito à nação ucraniana. Assim, os milhões de pessoas que estão hoje espalhadas por toda a Europa e outros países – como refugiados -, poderão retomar suas vidas e voltar para suas casas.

Slava Ukraini!!


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