Como é feita a formação de um Ministro Anglicano?
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 27 de jul. de 2017
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Os candidatos às Sagradas Ordens na Igreja Anglicana precisam ter formação teológica (Bacharelado). Nesse sentido, temos duas hipóteses a serem consideradas: os candidatos que possuem formação pelo seminário da própria Igreja e aqueles que possuem formação teológica de outras instituições cristãs.
Para os que possuem formação em outras instituições, deverá haver exame com vistas a avaliar seus conhecimentos sobre:
1) Sagradas Escrituras (conteúdo, contexto histórico e teologia bíblica); 2) Conhecimento geral sobre a História da Igreja, e em especial sobre a História da Igreja Anglicana; 3) Doutrina: o ensino da Igreja tal como exposto nos Credos Apostólico e Niceno-Constantinopolitano; 4) Liturgia (noções dos princípios e da história do Culto Cristão, conteúdo e uso do Livro de Oração Comum e uso da voz); 5) Ética e vivência cristã; 6) Teologia Pastoral (o sentido das Sagradas Ordens, a administração dos Sacramentos, a comunicação do Evangelho (oratória), a assistência pastoral, organização e administração paroquial, conhecimento sobre as leis da Igreja (Constituição, Cânones Gerais e Diocesanos) e evangelização); 7) Psicologia e Clínica Pastoral; 8) Educação Cristã: princípios, métodos e práticas pedagógicas; 9) Ecumenismo; 10) Sociologia Pastoral.
Já os candidatos com formação pelo seminário da própria Igreja, em regra, são dispensados de todos os requisitos acima, justamente porque já pagaram essas disciplinas em Seminário Anglicano. Em regra, a Junta de Capelães Examinadores realiza uma ou mais entrevistas com o candidato, com a finalidade de avaliar sua posição pessoal sobre a doutrina, o culto e a disciplina da Igreja. Porém, excepcionalmente, a Junta de Examinadores pode submeter o candidato formado pelo seminário da Igreja ao exame acima citado.
Além da formação intelectual os candidatos às sagradas ordens também devem passar por toda uma bateria de exames médicos e psicológicos para ficar patente sua sanidade física e mental. Afinal não seria de bom alvitre que uma pessoa com problemas psicológicos fosse responsável pela orientação e aconselhamento das mais diversas dificuldades pelas quais alguém pode passar.
Particularmente estive dos dois lados do muro. Tanto fui seminarista e estudei em um seminário em regime de internato por quatro anos, quanto assumi a condição de Reitor do Seminário Anglicano de Recife – ligado à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Lá estive como reitor, e professor de teologia, por quase sete anos.
Lamentavelmente muitas Igrejas não investem mais em Seminários com Internato e o que temos hoje é uma formação muito mais superficial que é dada aos sacerdotes formados nos últimos 10 anos. Essa situação, lamentavelmente, acabou por produzir uma geração de ministros com uma formação menos adequada. Eles fazem cursos semi-presenciais ou então à distância, em um fim de semana por mês. Aqui em Natal penso que só existem dois sacerdote Anglicano que fizeram toda a formação em seminário interno. E na minha época tínhamos aulas em dois horários.
Mas, voltando ao tema, ao final do processo, o candidato é apresentado ao bispo diocesano munido de um parecer pormenorizado a respeito da aptidão intelectual e de sua convicção pessoal a respeito das matérias examinadas.
PS. Além de bacharel e mestre em Teologia, também fiz graduação e mestrado em Filosofia e especialização em direito. Lamentavelmente, porém, hoje em dia, têm surgido muitos “padres” anglicanos na cidade; alguns fizeram o supletivo do 2º grau e outros não têm bacharelado em teologia. Cuidado com a formação dessas pessoas.


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