BREVE REFLEXÃO SOBRE O CATECISMO DA IGREJA ANGLICANA NA AMÉRICA DO NORTE – Para Ser um Cristão
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 25 de mai. de 2017
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Rev. Cônego Jorge Aquino
15. O que você deve fazer quando se voltar para Deus para a salvação em arrependimento e fé?
Se eu ainda não fui batizado, seguindo a instrução adequada, eu deveria ser batizado na morte e ressurreição de Jesus Cristo, e assim ser membro do seu Corpo, a Igreja. (Mateus 28: 19-20, I Coríntios 12:13)
Comentário:
A grande questão que esta pergunta levanta diz respeito ao primeiro passo que devemos tomar, logo após nos voltarmos para Deus por meio do arrependimento e da fé. Muito embora o arrependimento e a fé sejam eventos salvíficos que ocorrem na esfera íntima do indivíduo, o Catecismo agora aponta para um evento que ocorre na esfera pública: o batismo. Com isso em mente, somos apresentados pela resposta à essa questão, a três temas bem específicos.
Em primeiro lugar, o início da resposta leva em consideração a possibilidade de que o indivíduo já tenha sido batizado. É por isso que a resposta afirma: “se eu ainda não fui batizado”. Essa expressão, por certo, aponta para a mesma direção apontada por Santo Agostinho quando, em seu debate com os Donatistas, repudiava a prática do rebatismo. Devemos lembrar que os seguidores de Donato acreditavam que, em caso de uma apostasia ou do abandono da fé, caso houvesse uma volta à fé cristã, a pessoa deveria ser rebatizada. Os Anglicanos, portanto, tem essa mesma postura, ou seja, não rebatizam aqueles que já receberam o sinal externo dessa graça interna por meio do sacramento do batismo.
Um segundo elemento que é exposto pela resposta do Catecismo é que nosso batismo é uma forma de nos relacionarmos com “a morte e a ressurreição de Jesus Cristo”. Em sua carta aos Romanos, Paulo argumenta que aqueles que já morreram para o pecado não podem mais viver nele. E arremata dizendo: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados em sua morte? (…) para que, como Cristo ressuscitou dos mortos (…), andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6: 3,4). Nossa união com Cristo, em sua morte e ressurreição, toma forma no nosso batismo, pelo qual expressamos que com Ele morremos para essa realidade temporal e ressuscitamos para viver uma nova vida.
Um terceiro ponto que pode ser encontrado na resposta contida no Catecismo é que, por meio do batismo nos tornamos membros do “corpo de Cristo, a Igreja”. O texto de Paulo aos Coríntios faz referência à nossa entrada no Corpo de Cristo que é a Igreja, por meio de um evento descrito por ele como nosso batismo “em um Espírito” (I Co 12: 13). Quando somos batizados em um Espírito, portanto, passamos a fazer parte da comunidade dos que creem. No entanto, é preciso que essa fé se expresse de forma externa. O texto do Evangelho de São Mateus é significativo porque coloca o Batismo como algo que ocorre depois do “ensino”. Quando o texto diz: “portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, ele quer nos dizer que o batismo é o resultado esperado depois de que os discípulos “foram” e “ensinaram”. O resultado dessa ação dos discípulos é o batismo em nome da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Os Anglicanos, portanto, não apenas valorizam a missão e o ensino, mas também entendem que o batismo só deve ser praticado em nome da SS. Trindade. Qualquer outra fórmula deve ser rejeitada.
Em resumo, toda conversão à Cristo, implica na assunção de nossa condição de servos e, portanto, em obedecermos seu mandamento, recebendo o batismo e nos unindo à sua Igreja. Que, na condição de cristão, possamos realmente tê-lo como Senhor de nossa vida e que o sirvamos obedientemente, assumindo todas as consequências para os quais aponta o rito batismal.


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