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BREVE REFLEXÃO SOBRE O CATECISMO DA IGREJA ANGLICANA NA AMÉRICA DO NORTE – Para Ser um Cristão

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 6 de jun. de 2017
  • 5 min de leitura
catechism-anglicano

Rev. Cônego Jorge Aquino

16. O que Deus concede ao salvar você?

Deus concede-me a reconciliação com ele (2 Coríntios 5: 17-19), o perdão dos pecados (Colossenses 1: 13-14), a adoção em sua família (Gálatas 4: 4-7), a cidadania em seu Reino (Efésios 2:19-21), Filipenses 3:20), a união com ele em Cristo (Romanos 6: 3-5), a nova vida no Santo Espírito (Tito 3: 4-5) e a promessa da vida eterna (João 3:16; 1 João 5:12).

Comentário:

A salvação da humanidade sempre foi objeto de muito debate e reflexão por parte dos religiosos. Em quase todas as religiões encontramos caminhos que apontam na direção de uma forma de salvação. Lamentavelmente, a esmagadora maioria – senão a totalidade -, apresenta caminhos inadequados para atingir esse fim. Na Bíblia descobrimos que a salvação é um dom dado por Deus e que a única coisa que precisamos fazer para recebermos esse dom é crer em Jesus Cristo.

No entanto, depois que fomos salvos pela ação graciosa de Deus, descobrimos nas Escrituras Sagradas, que existem alguns dons que acompanham a salvação e que estão à nossa disposição para nosso crescimento espiritual. Estes dons nos são dados pelo Senhor como consequência do maior de todos os dons, a salvação. Examinemos, pois, cada um desses elementos na sua ordem. O primeiro dom que Deus concede ao que foi salvo por Ele, é a reconciliação. De acordo com as Escrituras, existia um muro que impedia o relacionamento entre Deus e os homens. Esse muro que impedia nossa relação com Ele era construído com nossos pecados, que impedi nosso relacionamento. Uma vez objeto do olhar salvífico de Deus, não existe mais barreiras que nos impeça de manter uma relação viva e salutar com Ele. O texto de II Coríntios 5: 17-19 nos ensina que todos aqueles que estão em Cristo já são novas criaturas; o passado ficou para trás e tudo se fez novo. Como elemento constitutivo dessa nova realidade que se faz presente em nossa vida está o fato de que Ele nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos legou o ministério da reconciliação e a palavra da reconciliação, ou seja, Deus não apenas nos reconciliou com Ele, mas também nos transformou em arautos da reconciliação de Deus para com o mundo.

O segundo dom que a salvação nos dá é o perdão dos pecados. Reconciliados com Deus, recebemos dEle o perdão de todos os pecados. Isso significa que todos os nossos pecados passados, presentes e futuros estão perdoados. É claro que não estamos diante de uma licença para pecar; mas diante da extensão da obra redentora de Cristo. O poder de seu sacrifício foi suficiente para atingir todos os nossos pecados, mesmo aqueles que ainda cometeremos no futuro. Mas o cristão, sempre que peca, está disposto a se arrepender de todos os seus pecados. No texto citado pelo Catecismo, a carta de Paulo aos Colossenses 1: 13-14, aprendemos que ao nos libertar do império das trevas e nos transportar para o reino do Filho, Deus nos deu, por meio do Filho, a redenção e a remissão dos pecados. Uma vez em Cristo, portanto, encontramos o perdão de todos os nossos pecados.

O terceiro dom que recebemos de Deus ao sermos salvos por Ele, é a adoção na sua família. As Escrituras dizem que Jesus veio para os seus, mas estes não os receberam; a todos quanto o receberam, portanto, foi-lhes dado o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1: 12). Isso significa que nem todos são “filhos de Deus”. Nossa filiação espiritual é o resultado desse nascimento espiritual que nos faz entrar em sua família na condição de filhos. E, como filhos, somos também herdeiros e co-herdeiros com Cristo. Na carta de Paulo aos Gálatas 4: 4-7 lemos que, na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho para resgatar aqueles que estavam sob uma lei que os condenava, a fim de que eles fossem adotados e recebessem a condição de filhos de Deus e habitação do Espírito, que nos habilita a clamar “Aba, Pai!”, cujo significado aponta para toda a intimidade que agora possuímos: “paizinho!”.

O quarto dom que recebemos ao sermos salvos por Deus é a cidadania em seu Reino. Quando fomos por Ele adotados e contados como filhos, fomos também contados como um dos cidadãos desse novo Reino – ou esse domínio específico de pessoas que possuem uma outra fidelidade. Nossa pátria, não é mias aqui, mas nos céus, ao lado do Pai. Estamos aqui como embaixadores, para representar o Rei dos Reis e anunciar as Boas Novas para todos quantos quiserem ouvir essa mensagem. Escrevendo aos Efésios 2:19-21, Paulo ensina que, uma vez que fomos acolhidos por Deus em sua família, já não somos mais estrangeiros ou estranhos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus. Na condição de concidadão, somos edificados sobre o fundamento dos apóstolos, onde o próprio Cristo é a pedra angular que faz com que esse edifício cresça bem ajustado, como um santuário dedicado à Deus.

Em quinto lugar, ao sermos salvos por Deus, Ele nos dá o dom de nossa união com Ele em Cristo. Ao entrarmos em sua família espiritual na condição de filhos, e no seu reino, na condição de súditos, entramos também em uma condição de extrema intimidade que só pode ser descrita como uma união com Deus. Estamos unidos ao Pai, por meio do Filho, que nos salvou. Falando sobre esse tema em sua carta aos Romanos 6: 3-5, Paulo nos diz que todos aqueles que foram batizados em Cristo, o foram na sua morte e, dessa forma, fomos metaforicamente sepultados com Ele em sua morte e, vez que Ele ressuscitou, também possamos viver em uma novidade de vida própria daqueles que estão unidos a Ele. Nossa união com Cristo ocorre, portanto, na morte e na ressurreição porque com Cristo morremos e fomos ressuscitados para uma nova vida.

Em sexto lugar, quando somos salvos por Deus, Ele nos dá a oportunidade de viver uma nova vida dirigida pelo Espírito Santo. Se Cristo nos torna um com Deus, o Espirito Santo age positivamente em nossa vidas, nos transformando em pessoas mais parecidas com Deus. Esse processo é chamado de “santificação”, no entanto, eu prefiro chamar de “cristificação”, já que por meio dele, nos tornamos mais parecidos com Cristo em nossa vida e comportamento. Falando sobre essa nova vida no Espírito Santo, Paulo, escrevendo para Tito 3: 4-5, nos diz que quando a bondade de Deus se manifestou sobre nós, ela não se deveu às obras de justiça que eventualmente tivéssemos praticado, mas em sua imensa misericórdia que nos salvou por meio do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo que Ele derramou sobre nós de uma forma profusa. É por isso que nossa vida tem de ser diferente, agora.

Por fim, nossa salvação acaba por nos oportunizar um ultimo dom vindo de Deus, a promessa da vida eterna. Salvos da condenação do pecado por meio de nossa justificação; salvos do domínio do pecado por meio da santificação; por fim seremos salvos da própria presença do pecado na glorificação. Nesse momento, teremos a plena vida ou a vida eterna. De fato, nós já a temos, mas ainda não a temos plenamente. Ela se concretizará naquele dia. Nos dois textos joaninos que são citados no Catecismo (João 3:16; 1 João 5:12) aprendemos que o amor de Deus por nós foi tão grande que Ele nos deu seu próprio Filho para que todo aquele que nEle crer não se perca, mas tenha a vida eterna. Ademais, o segundo texto é categórico ao afirmar que aquele que tem o Filho tem a vida eterna e aquele que não tem o Filho não tem a vida.

 
 
 

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