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BREVE REFLEXÃO SOBRE O CATECISMO DA IGREJA ANGLICANA NA AMÉRICA DO NORTE – Para Ser um Cristão

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 28 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura
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Rev. Cônego Jorge Aquino

19. O que é um credo?

Um credo é uma declaração de fé. A palavra “credo” vem do Latim credo, que significa “Eu creio”. (João 20:24-29)

A Igreja crista, desde seu início, desenvolveu declarações de fé. Essa prática não era estranha aos primeiros cristãos porque eles já conheciam essa prática como algo comum desde à tradição judaica que estava na base do cristianismo. Dessa forma, quando observamos os textos do Velho Testamento e a prática das liturgias judaicas, logo percebemos que uma das marcas da tradição judaica é a recitação da “Shemá”, que é a Declaração de Fé judaica no monoteísmo, baseada em Dt 6:4.

No caso do Novo Testamento, também encontramos alguns versículos que, segundo os exegetas, apontam para breves Confissões de Fé primitivas. Embora ela ainda não tivesse uma Declaração de Fé produzida com o intent de fixar a fé e a doutrina de forma clara e universal, a Igreja era uma comunidade que cria e confessava e isso pressupõe a existência de um corpo doutrinário, ainda que incipiente. Essa verdade pode ser inferida de frases como: “A doutrina dos Apóstolos” (At 2:42); “A palavra da vida” (Fp 2:16); “A forma da doutrina” (Rm 6:17); “As palavras da fé e da boa doutrina” (Rm 6:17); “O padrão das sãs palavras” (II Tm 1:13) e “A sã doutrina” (II Tm 4:3; Tt 1:9).

Quando nos aproximamos dos textos neotestamentários, descobrimos que muitas vezes as Confissões vêm ligadas a hinos, como no caso de I Tm 3:16. Para Bultmann, as primeiras confissões eram compostas de pequenas frases como “Jesus é o Cristo”, ao passo que os hinos expressavam verdades mais elaboradas sobre a Pessoa e a obra de Cristo. Dentre os vários textos que revelavam declarações de fé semelhantes, poderíamos destacar At 8:37, que é visto como uma forma primitiva de um credo baptismal, ou referências como I Tm 6:12.

A questão feita pelo Catecismo se ressume a perguntar: “o que um Credo?”. Como a própria resposta revela, um Credo é uma “Confissão de Fé”. E essa Confissão de Fé começa com uma palavra significativa: “Eu creio”. Segundo pontua o conhecido pensador suíço Karl Barth, “Creio em, ‘credo in’ significa precisamente: não estou só. Os homens, em senhorio e em miséria não estão sós. Deus vem ao nosso encontro e mostrar o rosto inteiramente por nós como nosso Senhor e Mestre. Em dias bons ou ruins, em nossa perda e nossa justiça, somos, agimos e sofremos neste confronto. Não estou sozinho; Deus vem ao meu encontrou; em todas as circunstâncias, estou em uma forma ou outra em sua companhia” (BARTH, 2000, p. 23). Em resumo, a fé não é um ato solitário, pois que tem fé deposita sua vida naquele em quem acredita.

O texto sugerido pelo Catecismo é extremamente significativo justamente por revelar essa ligação entre a fé e a entrega. Diz o texto que Tomé não estava com os discípulos quando Jesus apareceu depois da ressurreição. Apesar isso, a comunidade dos discípulos declarou o que haviam testemunhado: “Vimos o Senhor!”. No entanto, Tomé disse: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei”. Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos outra vez, e, desta vez, Tomé estava com eles. Eis que repentinamente Jesus pôs-se entre eles e disse: “Paz seja com vocês!”. Em seguida, disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. Nesse momento, Tomé falou: “Senhor meu e Deus meu!”. Ao que Jesus retrucou: “Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram” (Jo 20:24-29). Deste texto aprendemos: (i) que Deus se revela à comunidade; (ii) que apesar do testemunho da comunidade de fé, muitos preferem não acreditar; (iii) e que, mesmo assim, Deus manifesta sua graça convidando aos que não acreditam, e, (iv) que a fé de quem acredita, implica em empenho de toda a sua vida. Por isso o incrédulo Tomé, ao passar a crer, confessa ser Jesus seu Senhor e seu Deus. Você já pode dizer que confessa que Jesus também é o seu Senhor e seu Deus?

 
 
 

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