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BREVE REFLEXÃO SOBRE O CATECISMO DA IGREJA ANGLICANA NA AMÉRICA DO NORTE – Para Ser um Cristão

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 4 de jul. de 2017
  • 4 min de leitura
catechism-anglicano

Reverendo Jorge Aquino

20. Qual o propósito dos Credos?

O propósito dos Credos é declarar e salvaguardar a verdade de Deus sobre si mesmo, sobre nós e sobre a criação, conforme Deus a revelou na Sagrada Escritura. (2 Pedro 1: 19-21, João 20:31)

No interior da resposta acerca da questão sobre o propósito dos Credos, o Catecismo da Anglican Church in North America se serve de, pelo menos, três verdades que precisamos destacar como essenciais para nosso estudo.

A primeira grande verdade nos diz que o propósito do Credo é “declarar”. Aliás, como já sabemos, a expressão “credo”, vem do latim, e significa “eu creio”. Essa declaração é, portanto, um ato pessoal de fé. Todo credo reflete, assim, a expressão pessoal e subjetiva de uma pessoa que abertamente professa sua fé de forma pública e se expõe em função disso. Não é sem propósito que, nas Catequeses Mistagógicas de Cirilo de Jerusalém, os catecúmenos confessavam publicamente sua fé e sua rejeição ao diabo e a todas as suas obras, antes de serem recebidos pelo batismo na comunidade dos que creem.

Sabemos que nosso Senhor deixou bem claro que “todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10:32). Mas o ato da confissão pública de fé não é um gesto isento de incógnitas e conflitos. Não podemos crer em algo que podemos administrar, possuir e gerir para nosso bem-estar pessoal e nossa segurança. Crer, afirma Bruno Forte, “é confiar em Alguém, aceitar o chamado do Estranho que convida, entregar a própria vida na mão de Outro, para que seja ele o único e verdadeiro Senhor” (FORTE, 1994, p. 16). É por isso que, na etimologia medieval, “crer” significa “cor dare”, ou seja, dar o coração de forma ponta e sincera nas mãos do Outro. É se deixar aprisionar pelo amor do Outro e assumir a postura de dócil obediência frente à Sua vontade. Crer é abandonar nossa segurança e nos jogar na proposta de Deus. Por isso, já se disse que “Crer significa estar à beira do abismo escuro e ouvir uma voz que grita: Joga-te, que te segurarei nos braços” (KIERKEGAARD, In FORTE, 1994, p. 16).

A segunda grande verdade sobre o propósito dos Credos, conforme nos revela o Catecismo, é que eles servem para “Salvaguardar a verdade de Deus”. Segundo a Escritura, Jesus enviou seus discípulos para pregar o Evangelho (Mc 16:15,16), para fazer discípulos e para ensinar (Mt 28:19,20). Segundo Apóstolo Paulo, proclamar a fé é, também, anunciar as verdades fundamentais do Evangelho. Por isso ele disse: “Se com a tua boca confessares a Jesus Cristo como Senhor, e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10:9,10). Além disso, Pedro completa, afirmando que os crentes foram chamados “a fim de proclamarem as virtudes daquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (I Pe 2:9).

As verdades que precisamos resguardar são sobre três temas bem claros (i) sobre o próprio Deus, (ii) sobre nós mesmos, e (iii) sobre a criação. De fato, ao estudarmos os Credos da Igreja cristã, descobrimos uma série de verdades sobre esses três temas.

No entanto, há uma terceira verdade sobre o propósito dos Credos que precisamos ressaltar. Eles não possuem valor em si mesmo. Por mais que sejam documentos relevantes para apontar a realidade da Igreja em determinada quadra da história, o que nos garante a verdade desses grandes temas expostos nesses Credos, é sua relação com as Escrituras. É por isso que o Catecismo finaliza sua resposta à essa questão com as palavras: “Conforme Deus a revelou na Sagrada Escritura”. Nas Escrituras encontramos o critério para julgar nossa crença e nossa vida. Ela é nossa regra de fé e vida. E nós não somos obrigados a acreditar em nada que, como tal, não possa ser provado por ela.

A fé da Igreja primitiva nas Sagradas Escrituras é bastante significativa e deve nos servir de exemplo. Pedro, por exemplo, ao se referir às profecias, assim se expressa: “Assim, temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em seus corações. Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo (II Pd 1:19-21). Para ele, estas palavras que vieram da parte de Deus, ainda devem ter nossa atenção, afinal, elas nos servem de candeia para fazer a luz nascer em nosso coração.

De forma similar, João, afirmou que Jesus havia realizado muitos sinais e milagres além daqueles que foram registrados por ele no Evangelho que havia escrito. No entanto, ele afirma: “Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome (Jo 20:30,31). Lendo os Evangelhos, e por extensão, toda a Escritura, e crendo em sua mensagem, encontraremos a vida no nome de Jesus.

Referência Bibliográfica:

DE ARAÚJO, João Dias. Sê cristão hoje. s/l. Publicação da Missão Presbiteriana, 1970

FORTE, Bruno. Introdução à fé. São Paulo: Paulus, 1994

 
 
 

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