AS DIFERENÇAS NO CASAMENTO
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 16 de jun. de 2017
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Rev. Padre Jorge Aquino
O casamento é, por definição, a união entre duas pessoas diferentes. Estas diferenças podem se de diversas naturezas. Primeiramente, temos a diferença sexual. Em seguida temos a diferença de criação, de ideias, de valores, de religião, temos diferenças políticas, sociais, e tantas outras que são igualmente relevantes. Mas será que estas diferenças podem ser perigosas? Minha experiência me autoriza a dizer que, no que tange às diferenças, é possível afirmar três verdades.
1. Há diferenças que prejudicam a relação
Quando o Apóstolo São Paulo escreveu em II Co 6:14: “Não vos ponhais em jugo desigual” ele estava pensando exatamente naquelas diferenças que prejudicam a relação. Primeiro devemos entender a ideia presente na mente de Paulo. Ele está muito provavelmente fazendo uma referência à Dt 22:10 e Lv 19:19, que proibia a utilização do mesmo jugo em animais que, por serem de espécies diferentes, exigiriam jugos diferentes. Tanto Paulo quanto seus antecedentes rabínicos entendiam que esta ideia se aplicava a um casamento misto ou a uma relação muito íntima com alguém que seja “incrédulo” (no grego apistós, ou seja, sem fé ou infiel).
Quando as diferenças são profundas e atingem o cerne das convicções das pessoas, sejam, convicções religiosas ou ideológicas ou políticas, etc., um casamento pode passar por uma enorme dificuldade podendo, inclusive, caminhar para um fim.
2. Há diferenças que nada dizem à relação.
Em segundo lugar, há diferenças que nada dizem à relação conjugal. Ninguém creio eu, em sã consciência, jamais colocaria seu casamento em risco em função de temas como a cor da pele, a idade, preferências envolvendo o lazer ou aspectos culinários, etc.
3. Há diferenças que fortalecem a relação
Mas há diferenças que podem enriquecer a relação. Surpreendentemente, estas diferenças são da mesma natureza daquelas que podem prejudicar. A diferença está na natureza e nos pré-conceitos das pessoas. Há pessoas que olham para o diferente como alguém que tem que ser igual a mim. Mas é possível olhar para o outro como alguém que pode enriquecer minha perspectiva de mundo com suas diferenças. O que precisa existir, sempre, é respeito. Encerro minhas palavras citando Santo Agostinho: “no essencial, unidade; no secundário, liberdade; em tudo, amor”.


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