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ACERCA DOS CÃNONES

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 8 de ago. de 2015
  • 2 min de leitura

Cânones

Revdo.Pe. Jorge Aquino 

Um dos assuntos mais importantes que dizem respeito às igrejas anglicanas, sejam elas ligadas ou não à Cantuária, tem a ver com os Cânones. A própria palavra já traz consigo uma grande significação. A palavra vem de “cana” ou “vara de medir”, em outras palavras, eles são um critério por meio do qual medimos ou estabelecemos se certo comportamento é ou não adequado.

Durante muitos anos os escritos e ensinamentos de Aristóteles foram não só desconhecidos, mas vistos como heréticos pela Igreja medieval. Somente em torno do século XIII, em razão da obra de Santo Tomás de Aquino e de seu pupilo Egídio Romano (1243-1316) sua obra passou a ser revisitada com outros olhos a passou a ser a base da filosofia escolástica.

Além de diversos escritos sobre Aristóteles, Egídio se focou muito na idéia do homem como “animal político”. É interessante que se explique que a expressão “político” tem a ver com “polis”, ou seja, cidade. Em outras palavras o homem é um animal que vive em uma comunidade civil, sem se ater, necessariamente a um regime político.

Para o pupilo de Aquino, participar e uma sociedade civil, significava “viver politicamente” e isso significava viver uma vida de acordo com a virtude, ou seja, viver dignamente. Isto ocorre porque “as comunidades civis são reguladas por leis que garantem e protegem a moralidade de seus cidadãos” (VÀRIOS, 2013, p. 70). Para Egídio as boas leis deveriam logicamente levar e induzir à virtude.

Para que ágüem pudesse ser membro de uma sociedade ele deveria se submeter a essas leis e normas. Por outro lado, não segui-las implicaria em apartar-se dessa sociedade. Se como membros de uma igreja queremos participar de sua vida, temos que nos adequar a seus cânones.

Neste momento é importante que saibamos que viver “politicamente” não é a mesma coisa que viver em uma tirania uma vez que um tirano é alguém que se exclui da sociedade civil ao não se submeter aos mesmos cânones. Por isso, os membros da igreja, sejam clérigos ou leigos, devem se submeter a uma norma que esteja acima de todos.

Depois de Egídio Romano surge um Francisco Soares (sec XVI) questionando o direito divino dos reis em seu Tractactus de legitibus ac deo legislatore e mostrando que a igreja não precisa se submeter aos Reis como se eles fossem representantes inquestionáveis de Deus.

O passo seguinte na teoria política dos canos é dado por Thomas Hobbes no seu Leviatã, que descreve a vida no estado de natureza como sendo “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”. Para sairmos deste “estado de natureza” precisamos de leis que sejam o resultado de um contrato social e que proteja a dignidade de todos os cidadãos. Os cânones devem, respeitando ao múnus bíblico-teológico de cada um, leigo, diácono, presbítero e bispo, abrirem-se para a formação de uma norma que seja adequado à nossa realidade social/política, ao mesmo tempo em que mantenha a tradição da Igreja lida e interpretada à partir de uma realidade que está em constante mutação e atualização.

O fato concreto é descrito por um brocado jurídico que diz “sine lege ad id nulla societas”, ou seja, sem lei não existe sociedade. Precisamos de cânones, mas esses cânones precisam ser adequados aos nossos tempos.

 
 
 

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