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ACERCA DO CARNAVAL E DA POLÍTICA

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 27 de fev. de 2017
  • 2 min de leitura
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Rev. Cônego Jorge Aquino

Sei que muitas pessoas já escreveram, até mesmo de forma exaustiva, sobre o carnaval. Boa parte desses artigos possuem um viés histórico ou teológico. Mas eu gostaria de fazer uma reflexão que contemplasse um outro viés: o politico.

Lamentavelmente, tenho a impressão de que aquilo que ocorria em Roma antiga continua se repetindo em nossos dias, ou seja, as pessoas se satisfazem com a política do “pão e circo”.

No exato momento em que estamos encerrando o segundo mês do ano, ou seja, ainda não chegamos aos sessenta dias desse novo ano, nosso país já foi sacudido por rebeliões em várias penitenciárias – uma das quais no meu estado -, revelando que a verdadeira administração do sistema penal em nosso país está nas mãos de facções criminosas; por greve de policiais militares no Espírito Santo que acabou trazendo a morte para mais de uma centena de pessoas e a crise instalada na economia, na saúde, na educação e na vida de todo um estado da federação; e pelo envolvimento quase semanal de um dos ministros do atual governo nas investigações da “lava-jato”; e eis que, enquanto as pessoas estão nas ruas, brincando e se divertindo, o Governo encerra o envio ao Congresso Nacional de três importantíssimas propostas de reformas que já começaram a tramitar sem que a sociedade civil se manifestasse. Estamos diante da Reforma da Previdência, da Reforma Trabalhista e da Reforma Tributária que, sem que haja qualquer debate ou participação popular, passou olimpicamente com os cidadãos apenas assistindo a banda passar.

Em minha cidade, enquanto as pessoas estão pulando nas ruas, o prefeito está fazendo o pagamento do funcionalismo municipal aplicando os descontos do período em que o funcionalismo esteve em greve (alguns conhecidos receberam apenas R$ 7,00 para passar o restante do mês) mesmo sem que o judiciário tenha determinado a ilegalidade da greve. E onde estão os funcionários? Pulando e brincando o carnaval. Nenhuma palavra da imprensa, que só mostra desfile de blocos e escolas de samba, e nenhuma palavra dos funcionários que, imagino, ainda não se deram conta do que ocorreu.

Não quero aqui – e nem poderia – discutir o mérito dessas reformas. Mas me incomoda ver todo um pais embriagado pelo vinho de momo e não perceber que temas tão significativos, que influenciarão as nossas vidas e as vidas de todos os brasileiros que nascerem desde agora, sequer são objeto de debate nas faculdades, nas redes sociais, nos centros comunitários e, mesmo, nas igrejas. Sim, penso dessa forma porque cresci em um ambiente onde a vida da sociedade era objeto de debate dentro da comunidade cristã, e a comunidade cristã tinha uma opinião cristã sobre o tema. Sigo, portanto, a tendência exemplificada por pessoas como William Wilberforce e Abraham Kuyper.

Espero em Deus que a Igreja seja capaz de discutir esses temas tão significativos para nosso país de forma madura, inteligente e, acima de tudo, bíblica e apresente propostas relevantes sobre esses assuntos.

 
 
 

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