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ACERCA DO BATISMO DE CRIANÇAS FILHAS DE PAIS SOLTEIROS

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 19 de abr. de 2017
  • 2 min de leitura

batismo infantil

Rev. Cônego Jorge Aquino

Durante essa semana, coincidentemente, fui procurado por quatro pessoas que questionaram se os cristãos podem batizar seus filhos no caso de serem seus pais, pessoas solteiras.

O batismo de crianças filhos de mães ou pais solteiros é uma realidade que instiga a reflexão de todas as igrejas Cristãs. Para responder sobre esse tema temos que saber um pouco sobre a constituição da família.

Até meados do século passado todas as famílias possuíam a mesma formatação: eram constituídas por pai e mãe juntamente com seus filhos. Tanto os pais eram casados, quanto os filhos seriam batizados na paróquia que frequentavam. Esta era a regra.

No entanto, a partir da década de 60 do século passado, surgiram muitos casais que deixaram de passar pelo rito do Matrimônio, mas passaram a viver juntos. Em outros casos, encontramos pessoas que haviam saído de uma relação anterior (eram divorciados), e estavam em uma segunda relação. Será que seus filhos poderiam ser batizados?

A resposta está na própria natureza do batismo. O que é o batismo? No Catecismo da Igreja Anglicana da América do Norte lemos que o Santo Batismo é o “rito de entrada na comunhão da Igreja e que marca esta transição da morte para a vida em Cristo”. Ora, se o batismo é a forma pela qual passamos a fazer parte da Igreja visível de Cristo, desde cedo, ficou claro para os cristãos que essas crianças deveriam ser batizadas. Definiu-se, portanto, que se ao menos um dos pais deseja que a criança seja batizada e se compromete a criar essa criança na fé cristã, nada impede que ela receba o batismo. A igreja Romana tem o mesmo pensamento. O Código de Direito Canônico da igreja Romana, em seu Artigo 868, recomenda que: “haja fundada esperança de que [a criança] será educada na religião católica; se essa esperança faltar de todo, o batismo seja adiado segundo as prescrições do direito particular, avisando-se aos pais sobre o motivo”.

Portanto, resta claro que entre os cristãos Anglicanos, e também para a igreja Romana, crianças cujos pais não sejam legitimamente casados podem e devem ser batizadas. Para tanto basta que um dos pais consinta.

É importante registrar que entre os Anglicanos é comum fazermos o matrimônio de pessoas que já passaram pelo casamento e que estão em segunda núpcias. Pois bem, os filhos dessa segunda união também têm o direito de serem batizados e os Anglicanos os batizam sem problemas. Da mesma forma pessoas que casaram em igrejas Anglicanas podem ter seus filhos batizados na igreja Romana sem qualquer obstáculo.

Lembre-se, Jesus disse: “deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais”. A igreja não existe para colocar empecilhos entre Cristo e as crianças; ela existe para facilitar esse encontro. Dessa forma os cristãos Anglicanos e Romanos entendem que a relação das crianças para com Deus não deve ser obstaculada pelo fato de que seus pais não são casados. Batizar crianças filhas de pais ou mães solteiras não é apenas uma forma de agir pastoralmente e acolher essas crianças que já passam por dificuldades sociais peculiares, mas é também permitir que elas gozem da possibilidade de serem reconhecidas como cristãos plenos e crescer em graça e no conhecimento de Deus, nosso Salvador.

 
 
 

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