ACERCA DA FELICIDADE
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝

- 13 de dez. de 2016
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Rev. Côn Jorge Aquino
A felicidade é um bem desejado desde as mais priscas eras. Muitos, enganosamente, acharam que ela pode ser encontrada na honra, nos bens ou no poder. Mas o estagirita já demonstrou que essa posição é absurda, em sua Ética a Nicômaco.
Quem, no entanto, apresenta uma proposta, a meu ver, mais adequada, é o filósofo grego Epicuro (341-270 aC) em sua obra, Fragmentos. Neste texto ele nos diz: “Não é possível viver feliz sem ser sábio, honesto e justo, nem sábio, honesto e justo sem ser feliz”. Nesta perícope de seus Fragmentos, aprendemos que não há felicidade que não surja da prática de uma vida sábia, honesta e justa. Em outras palavras, o homem feliz é aquele que examina a própria vida e sabe quais os verdadeiros valores sobre os quais se deve construir uma existência; o homem feliz é aquele que, uma vez sabendo acerca dos verdadeiros valores que fundamentam a vida, vive a sua vida em consonância com eles, abdicando da hipocrisia; finalmente, o homem feliz é aquele que, acima de tudo, estabelece a justiça como padrão para nortear o comportamento e as relações.
Contudo, nesta perícope, aprendemos uma segunda grande lição. Se, por um lado, a felicidade nos leva a viver uma vida sábia, honesta e justa, por outro lado, retroativamente, não é possível ser justo, honesto e sábio, sem ser, verdadeiramente, feliz. A felicidade, enquanto estado da alma, produz um comportamento típico, e esse comportamento, resulta na sensação de felicidade. Estamos diante de uma verdade recursiva e não linear.
Você busca a felicidade? Não vai encontrá-la no acúmulo de bens, poder ou honra. Afinal, alguém já disse que “a medida do ter nunca se completa”. Se é sempre possível ter mais, você nunca será totalmente feliz. Ser feliz é uma disposição da alma que tem a ver com a prática coerente dessas três virtudes: sabedoria, honestidade e justiça. Nenhum homem ou sociedade chegará a ser verdadeiramente feliz, sem que a sabedoria indique o que é certo, sem que a honestidade nos faça caminhar na senda da verdade e sem que a justiça seja feita igualmente para todos.


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