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A TEOLOGIA E A CEBOLA

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 3 de mar. de 2017
  • 2 min de leitura

cebola

Rev. Cônego Jorge Aquino

Antes de mais nada quero dizer que a metáfora da cebola para se referir à teologia não é nenhuma novidade. Desde o século XIX que essa relação vem sendo feita. O mais famoso teólogo do século XX que a utilizou foi Rudolf Bultmann. No entanto, gostaria de fazer uma outra abordagem que me foi apresentada pela primeira vez pelo Bispo Robinson Cavalcanti.

Para ele – e devo dizer que sigo seu pensamento – a Teologia Sistemática possui doutrinas que são centrais e outras que são secundárias e terciárias, além de uma camada moral externa.

No centro de tudo estaria a Cristologia. Esta seção da Teologia Sistemática, conforme definida nos primeiros Concílios da Igreja são absolutamente inegociáveis para a fé cristã e definiria se estamos ou não dialogando com alguém que possui a mesma identidade cristã que nós. Nesta seção estaria a doutrina sobre as naturezas e a pessoa de Cristo.

Outras seções ou camadas da Teologia Sistemática poderiam ser colocadas em um lugar mais secundário ou até terciário. Estes temas seriam a Soteriologia, a Eclesiologia, etc. Todos sabemos, por exemplo, que os reformadores não concordavam na chamada Ordo Salutis e também discordavam sobre de que forma Cristo estaria presente na Eucaristia; isso sem falar em aspectos relacionados ao governo eclesiástico e a liturgia.

Mas, envolvendo tudo isso, haveria uma tênue camada relacionada à moral e aos costumes. Existem cristãos, por exemplo, que defendem que suas esposas não devem ouvir a leitura do Evangelho ou comungar sem o uso de um véu. Há igrejas que exigem o uso de cabelos grandes, proíbem calças compridas, e outras que são mais permissivas, não vendo qualquer problema no uso do vinho ou da possibilidade de ir ao cinema.

Segundo ensinava Cavalcanti, a diferença entre os fundamentalistas e um cristãos ortodoxos é que, enquanto os fundamentalistas olham para você de fora para dentro, ou seja, vislumbrando primeiro sua roupa, o que você come ou bebe e o que você faz, os ortodoxos escolhem olhar para os outros de dentro para fora. O núcleo duro da nossa fé é a Cristologia e quem concordar com essa doutrina seria cristão. Aspectos secundários como a forma de batismo, falar ou não em línguas, usar um cálice único na Eucaristia, usar pão com ou sem levedo, o uso de mitra para o bispo, etc., seriam acessórios infrutíferos para nossa relação com os demais cristãos. O ideal é compreender que no essencial tem que haver unidade; no secundário liberdade, mas em tudo amor.

 
 
 

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