A MULHER DO PADRE
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
- 16 de fev. de 2022
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Padre Jorge Aquino.
Pouca gente sabe, mas em 1970, Dino Rise lança uma comédia chamada La Moglie del Prete (A Mulher do Padre). Neste longa-metragem, ao descobrir que seu namorado é casado, a jovem Valeria Billi (Sophia Loren) tenta suicídio. No hospital, ela conhece o padre Don Mario (Marcello Mastroianni) e então passa a segui-lo. Ele, por sua vez, fica encantado por ela, mas nada pode fazer em razão de seu voto de celibato.
A simples possibilidade de imaginar que um padre tenha uma esposa, nos parece algo absurdo! Devemos, contudo, lembrar que o celibato é uma instituição criada mais de mil anos depois do surgimento da Igreja cristã e que somente é uma obrigação para os padres de tradição latina. Ou seja, até os concílios de Latrão (1123, 1139) o celibato não era exigido dos sacerdotes. Apesar disso, até o século XVI boa parte dos padres, bispos e até papas, possuíam esposas ou concubinas. A decisão mais dura e final ocorreu, contudo, no Concílio de Trento (1545-1563) e vale até hoje como regra de vida, não como dogma. Outro detalhe importante é que essa exigência, conforme vimos, só recai sobre os padres latinos, ou seja, os padres Ortodoxos e mesmo os padres ligados à Roma, mas pertencentes às igrejas orientais uniatas, também podem casar. Além desses, nenhuma outra igreja cristã (Anglicanos, Luteranos, Protestantes, etc.) fazem tal exigência.
No nordeste do Brasil, aprendemos desce criança que “o ultimo a chegar é a mulher do padre!”, ou que ela é vista como a “mula sem cabeça”. Apesar dessas brincadeiras pitorescas, a possibilidade do casamento para os sacerdotes é algo muito importante. Muito embora a CNBB não apresente números, sabemos que associação de padres casados do Brasil tem 7 mil membros, o que nos faz calcular que a cada quatro padre ordenado, um deles acabará saindo para constituir família.
Entre os Anglicanos ou Episcopais o celibato é uma realidade, no entanto, não é uma obrigação e sim uma opção. Temos padres que são celibatários, mas eles o são, porque escolheram viver assim, não porque estavam obrigados a isso.
Particularmente entendo que o celibato encobre e esconde um aspecto absolutamente natural da índole e do ser humano: amar e se relacionar com alguém formando uma família. Afinal, disse Deus: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Não podemos, não devemos nem é sábio ir contra nossa natureza, contra o que é racional ou contra o que Deus orienta.
Sou um padre casado e não poderia ser de outra forma. E minha esposa é minha rainha, minha companheira, meu mundo e, mesmo nervosa, estressada ou atarantada em razão do que passam todos os que militam na área da saúde em nosso país – e em meio a uma pandemia, é uma mulher inteligente, perspicaz, admirável e extremamente forte. Com ela adoro passear, viajar, conversar ou simplesmente, parar para ver o mar e ouvir o barulho das ondas batendo na areia. Concordo com quem disse que o verdadeiro amor somente pode surgir ao lado da admiração. Talvez por isso a ame tanto: porque a admiro enquanto mulher, mãe e enquanto profissional. Ela, com seu nome diz tudo. Mônica é uma palavra de origem grega (Monikos) derivada de monos, que significa “um só” ou “único”. Sim, Mônica, você é única!
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