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A DESRAZÃO DE CERTOS “DOUTORES”

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 13 de dez. de 2017
  • 5 min de leitura
jUSTIÇA DE dEUS

Rev. Jorge Aquino

Recentemente li um texto que se referia a minha pessoa e que foi escrito por alguém que tinha formação jurídica. Como fui professor de filosofia jurídica e hermenêutica jurídica por muitos anos e em muitas faculdades, fiquei surpreso com a superficialidade do raciocínio dessa bacharel em direito. Ela afirmava que, com base nas fotografias expostas em meu blog, eu deveria ser uma pessoa com um elevadíssimo padrão de vida e que vivia viajando para o exterior.

É claro que não preciso e nem tenho a obrigação de falar de minha vida pessoal e muito menos de ter que me justificar diante de uma afirmação tão absurda e maldosa. Mas quero aproveitar a ocasião para expor alguns que faziam parte de minhas aulas e que, talvez, essa bacharel tenha deixado de aprender na faculdade.

Existem muitos tipos de erros lógicos, mas alguns deles são chamados de sofismas. Se você procurar na internet uma definição básica de “sofisma” você descobrirá que ele é um “argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa”. Como se percebe, os sofismas são usados porque procuram, através de um raciocínio logicamente deficitário, tentar mostrar que sua argumentação é verdadeira. Segundo essa bacharel, com base no meu blog, ela chegou a conclusão que eu realizei cerca de 90 casamentos no ano de 2017. E fez uma conta simples. Se eu recebo um salário mínimo por casamento e fiz 90 no ano, recebi 90 salários mínimos esse ano. Ora, se o salário mínimo é de 937,00 reais, multiplicado por 90, logicamente, recebi 84.330 Reais; o que significa uma média de 7.000,00 reais por mês! Particularmente eu gostaria bastante de ter um salário como esse, não nego, mas não tenho! No entanto lamento muitíssimo que uma pessoa, sem qualquer fundamento, diga algo assim com o único interesse de macular minha imagem.

Quando estamos diante de uma pessoa com um mau raciocínio (ou uma personalidade má) que se propõe a fazer esse tipo de afirmação, sempre existem pessoas que acabam por aceitar e concordando com ela. Na realidade, muita gente acaba engolindo mentiras por verdades e ficam a falar mal dos outros sem razão qualquer.

Mas eu disse anteriormente que esse raciocínio é um sofisma ou uma falácia, e pretendo demonstrar. Afinal, onde está o erro? Vamos aos fatos.

Primeiro, quando abrimos o blog e verificamos a “aba” casamentos, realmente verificamos que existem cerca de noventa casamentos citados ali. Isso realmente “dá a impressão de que essa senhora está certa”. Mas um exame mais cuidadoso revela que o primeiro erro que a “doutora” bacharel cometeu, foi afirmar que aqueles casamentos foram TODOS realizados em 2017. Uma olhada mais atenta no mesmo blog, vai demonstrar que existem ali, fotos de cerimônias que eu realizei desde 2010. Muitos desses casamentos tiveram uma grande repercussão na mídia, e qualquer pessoa que leia os jornais da cidade sabe que aqueles casamentos foram realizados a mais de 4 anos. Ora, como uma pessoa com uma sólida formação jurídica, atribui a alguém, algo que é uma óbvia inverdade? Por que afirmar que eu celebrei 90 casamentos em 2017 se as fotos mostram um hiato temporal de quase oito anos? Ou bem essa pessoa é ruim da razão, ou bem é ruim do caráter.

Um segundo problema existente no raciocínio (ou na índole) dessa “doutora”, é que ela, na vontade de dizer aleivosias a meu respeito, não percebeu que um dos casamentos que realizei, aparece três vezes – e mesmo assim ela contou como três casamentos diferentes. Pergunto, existe uma mente má ou uma má índole? Como é que alguém consegue ler os mesmos nomes dos noivos na foto, o mesmo local do casamento e, apenas porque são três fotos diferentes, presume que são três eventos diferentes? Difícil de aceitar, não?

Um terceiro problema que existe ou bem na mente, ou bem na índole dessa bacharela em direito, é que ela, aparentemente nunca fez uma festa de casou na vida ou sabe muito pouco sobre casamentos. Ela imagina que quando um ministro religioso celebra um casamento, ele recebe no mesmo dia em que celebra. Nem imagina ela (ou talvez imagine sim), que existem noivos que procuram fechar a data do casamento com dois e até três anos de antecedência. Em outras palavras, se ela viu quatro fotos de casamentos publicadas em um mês, isso não significa – necessariamente – que eu recebi no mesmo mês pelos quatro casamentos. Basta perguntar a qualquer outro fornecedor do setor de eventos (seja fotografia, filmagem, cerimonialista, bolo, bem-casados, manobristas, gerador, iluminação, etc., etc., etc.) que essa pessoa vai entender o que estou dizendo. Ela “vê” algo (quatro fotos em um mês) e presume que eu recebi por aqueles casamentos naquele mês. Esse erro lógico se chama tecnicamente de non sector fenomenológico. Mas ela deve ter perdido essa aula. Como alguém que tem uma formação que a trina para ser crítica, ela não devemos acreditar em tudo o que os olhos dizem…. Que pena que ela é tão rasa em seu raciocínio.

Um quarto problema que essa “doutora” cometeu em seu raciocínio, foi presumir que eu recebi um salário mínimo por todos os casamentos que eu celebrei na vida. Se existe uma verdade que preciso dizer aqui é que eu NUNCA RECEBI mais de um salário mínimo de um casal para celebrar seu casamento. No entanto, foram inúmeras as vezes que recebi menos que isso – até porque nem todos têm a mesma capacidade econômica – e, em muitos casos celebrei até gratuitamente. Pelo menos dois outros reverendos anglicanos que moram nessa cidade são testemunhas disso, porque fui eu quem celebrou – ou, no caso de um deles – quem co-celebrou seu matrimônio.

Onde quero chegar? Que às vezes as pessoas fazem afirmações mentirosas e sem fundamento lógico e elas são replicadas ou espalhadas, sendo passadas adiante e engolidas pelas pessoas mais incautas, apenas para destruir a imagem de alguém. Sinceramente, só há duas alternativas. Ou bem essa “doutora” tem algum déficit intelectual, problema que só se resolve nos bancos da escola, ou bem ela possui um déficit moral. Nesse caso, não há muito o que fazer. O tempo se encarregará de demonstrar os verdadeiros fatos.

Continuarei realizando os sonhos dos casais que me procuram para participar da construção da felicidade desse imenso grupo de pessoas. Estas críticas maliciosas não interferirão no meu ministério com os casais. No entanto, por causa de pessoas assim, invejosas, sem escrúpulos e que vivem a perseguir e vigiar os outros – demonstrando lamentavelmente que nem vida própria devem ter -, peço desculpas aos meus seguidores do instagram, mas ficarei apenas com meu blog. Espero que essa pessoa tenham a humildade de reconhecer seus erros e se arrepender do mal que procurou fazer. Mas de algo eu tenho certeza: Deus fará justiça.

 
 
 

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