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A CREDIBILIDADE HISTÓRICA DAS ESCRITURAS

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 1 de ago. de 2016
  • 7 min de leitura

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Rev. Padre Jorge Aquino

Antes de mais nada gostaria de deixar bem claro que não pretendo, com esse pequeno texto, “provar” que a Bíblia é inspirada por Deus e que, portanto, seus ensinamentos devem servir de fundamento para nossa vida e nossa crença. Particularmente eu creio que ela é o registro inspirado da palavra de Deus aos homens e contém a mensagem salvação para a humanidade.

Mas o que eu quero com esse texto é que o meu leitor use de forma honesta e sincera, todos os critérios que são usados para se examinar os grandes textos da história da humanidade, também para examinar a Bíblia. Minha tese é que, se isso for feito com isenção, você poderá até não acreditar nas Escrituras – porque isso é uma questão de fé – mas, terá que admitir que tenho “boas razões” para crer no que ela diz.

Existem pelo menos três testes básicos na ciência histórica: o teste bibliográfico, o da evidência interna e o da evidência externa. Examinemos cada um deles particularmente.

I. Teste bibliográfico.

Este teste consiste na avaliação da transmissão textual pela qual o documento passou até os tempos atuais. Em outras palavras, uma vez que não temos os textos originais (autógrafos) qual a credibilidade que há nas cópias que temos hoje?

  1. Quanto ao Novo Testamento. No que diz respeito ao Novo Testamento, dispomos hoje de mais de 5.300 manuscritos gregos, 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outas versões antigas, além de cerca de 24 mil cópias de porções do Novo Testamento. Em outras palavras, nenhum outro documento da história antiga sequer chega perto desses números. Aquele que mais perto chega é a Ilíada, de Homero, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje, sendo que, o primeiro texto completo dessa obra data do século XIII.

Se formos examinar a obra de Sófocles, por exemplo, descobriremos que temos hoje 193 cópias de suas sete novelas, e que seu manuscrito mais antigo é uma cópia feita 1400 anos depois de sua morte.

Nenhum ilustre intelectual questiona a existência ou a obra de Aristóteles. O que não se diz é que ele morreu em 322 a.C., e que a cópia mais antiga – das dez que existem – de sua obra data do ano 900 d.C., ou seja, 1200 anos depois de sua morte. O mesmo pode ser dito de Platão. Morto em 347 a.C., a cópia mais antiga que temos de sua obra – das quais só existem 7 exemplares – nos chegou com um intervalo de 1200 anos.

E sobre o Novo testamento? Acerca deste documento histórico, possuímos mais de 24.600 manuscritos, sendo os mais antigos deles, escritos com uma distância de no máximo 250 a 300 anos dos autógrafos. Agora pergunto a um leitor que seja isento em seu julgamento. Qual das obras tem uma cobertura bibliográfica maior e com uma menor distância entre o autógrafo e sua cópia mais antiga? Platão, Aristóteles ou o Novo Testamento? O que representam as 7 cópias da obra de Platão e as 10 da obra de Aristóteles com as 24 mil do Novo testamento? Outra questão: qual obra tem mais chance de ser transmitida erradamente? Aquela cuja distância da original é de apenas 70 anos – refiro-me ao manuscrito John Rylands, escrito em 130 d.C. -, ou a que dista do original em 1200 anos? Seja um examinador criterioso e responda com sinceridade.

Por isso Sir Frederic Kenyon, que foi diretor bibliotecário chefe do Museu Britânico afirmou: “…além da quantidade, os manuscritos do Novo Testamento diferem das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara. Em nenhum outro caso o intervalo entre a composição do livro e a data dos mais antigos manuscritos existentes é tão curto quanto no do Novo Testamento” (MCDOWELL, 1989, p. 51).

  1. Quanto ao Antigo Testamento. No que diz respeito ao Antigo Testamento não temos a imensa quantidade de textos que encontramos no caso do Novo Testamento, nem de uma pequena distância existente entre os autógrafos e a versão mais antiga. Mas há alguns fatos que devemos levar em consideração.

Até as recentes descobertas dos chamados Rolos do Mar Morto, feitas no final dos anos 1940 e início de 1950, nas cavernas de Qumran, o manuscrito mais antigo que dispúnhamos do Antigo Testamento era uma cópia feita em torno do ano 900 d.C., o que representava um lapso temporal de cerca de 1300 anos, considerando que as Escrituras hebraicas foram concluídas, na versão mais conservadora, em torno de 400 a. C. Este fato, por si só, parece nos dizer que Antigo Testamento tem a mesma autoridade bibliográfica que teriam os textos clássicos da literatura grega. Mais não é bem assim.

Os Rolos do Mar Morto representam uma coleção de cerca de 40 mil fragmentos que já foram relacionados. Além deles, mais de 500 livros, afirma McDowell (1989, p. 72) já foram reconstituídos. Ademais, os textos foram produzidos por uma comunidade religiosa conhecida como os Essênios, que produziram esses testos entre o II século a.C. até o ano 70 d.C. E o que isso significa? Em Primeiro lugar, significa que a distância entre nossa versão mais antiga e o fim da confecção do Antigo Testamento deixou de ser de 1300 anos e passou a ser 200 anos.

Em segundo lugar, para responder aos que afirmam que houve uma modificação nas palavras da Bíblia desde que o autógrafo escreveu até os textos que temos hoje, cito mais uma vez McDowell que diz: “Um dos rolos [do Mar Morto] era um manuscrito com o texto hebraico completo de Isaías. Os paleógrafos dataram-no de 125 a.C. Esse escrito é em mais de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito anteriormente conhecido. O impacto dessa descoberta está em que o rolo de Isaías (125 a.C.) corresponde exatamente ao texto massorético de Isaías (916 A.D.), preparado 1000 anos depois. Isso demonstra a fidelidade e exatidão incomuns dos copistas pelo período de mil anos” (MCDOWELL, 1989, p. 73). Os chamados Rolos do Mar Morto são uma prova cabal de como os talmudistas e massoretas se dedicaram ao extremo para copiar com a mais profunda exatidão os textos sagrados para a posteridade.

II. Teste da credibilidade interna.

Este teste é retirado das orientações de Aristóteles quando afirma: “em caso de dúvida, deve-se favorecer o próprio documento, e não a posição questionadora do crítico” [de nodo que] “deve-se aceitar as afirmações do documento que está sendo está sendo analisado, e não pressupor fraude ou erro, a menos que o autor invalide o que escreveu devido a contradições ou a inexatidões quanto à fatos conhecidos” (ARISTÓTELES, In MCDOWELL, 1989, p. 77). Esta apresentação nos faz afirmar que uma “dificuldade” não fundamenta uma “objeção”, assim como um “problema não solucionado” não significa, necessariamente um “erro”.

A importância do teste da credibilidade interna consiste no fato de que os autógrafos foram as fontes primárias ou as testemunhas oculares do que escreveram. Desta forma, somos obrigados a acreditar em seu testemunho a menos que tenhamos uma razão que o desqualifique.

Dessa forma, por exemplo, lemos que “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem” (Lucas 1: 1-3). Neste texto temos um exemplo, na exposição introdutória de seu Evangelho, que seu texto era o resultado de uma “investigação” baseada no testemunho oral dos que estiveram presentes com Jesus. Resta, encontrar, dentro do texto, eventuais erros ou incongruências que tornem o livro indigno. Enquanto isso não acontece, ele ainda continua passando por esse segundo critério. O mesmo pode ser dito sobre todos os demais livros da Bíblia.

III. Teste da credibilidade externa.

Os testes externos consistem no testemunho exterior atestando a veracidade ou não do que está escrito. Isso significa informação que confirme sua autenticidade, ou seja, que consiste em material histórico que negue ou confirme o que está escrito nas Escrituras Sagradas. Isso pode, por exemplo, (a) se referir à um testemunho externo de autoria do livro, como exemplo, podemos citar o exemplo de um autor como o historiador Eusébio, em sua História Eclesiástica, que preserva textos que Papias teria recebido do Apóstolo João como sendo o autor do livro de Apocalípse. É ele, também, que nos traz a informação de que o livro de Mateus foi escrito originalmente na língua hebraica, ou seja, o aramaico. Muitas outras informações podemos encontrar em autores como Irineu, Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Flávio Josefo, etc., autores que conviveram com os Apóstolos e que nos trazem informações importante sobre os livros da Bíblia. (b) confirmações arqueológicas. O renomado arqueólogo judeu Nelson Glueck, escreveu: “Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia” (GLUECK, In MCDOWELL, 1989, p. 83). Na realidade, a Bíblia tem sido usada, sistematicamente, pela arqueologia para fundamentar inúmeras de suas pesquisas. Em outras palavras, a ciência arqueológica tem confirmado a existências de cidades e de povos, bem como moedas e outros dados que estão presentes nas Escrituras. Ou, como afirma Celso Kallarrari: “Além do estudo literário, a geografia e a arqueologia bíblica fornecem ao teólogo elementos importantes para determinar ou afirmar, ou até mesmo dizer que não ocorreram ou jamais ocorreram, em determinada época, alguns acontecimentos da história bíblica. Desse modo, as explorações arqueológicas são realizadas tendo em vista a verificação exata do modo de vida, da cultura e da religiosidade que os povos da Bíblia, conforme a história relata, vivenciaram. De acordo com o texto, a partir da localização de dezenas de cidades mencionadas na Bíblia, é possível datar e analisar com precisão, através dos “métodos modernos de escavação e os testes de laboratório” algumas civilizações antigas e confrontar os resultados das pesquisas com os textos bíblicos”. (KALLARRARI, http://www.abiblia.org/ver.php?id=1275).

Diante do exposto, ninguém precisa acreditar que a Bíblia é um texto sagrado e que é o registro da revelação de Deus aos homens. Mas não poderá, jamais se referir a ela como um texto pueril e sem crédito algum. Ela não é um livro historicamente irrelevante. Muito pelo contrário, ele é levado muito a sério por quem deseja conhecer melhor as culturas ancestrais e as realidades sócio-culturais dos lugares aos quais ela se refere.

Moral da história eu tenho boas RAZÕES para ter FÉ no que ela ensina.

Referências bibliográficas

KALLARRARI, Celso. Uma janela sobre o mundo bíblico. In http://www.abiblia.org/ver.php?id=1275. Acessado em 01 de agosto de 2016).

MCDOWELL, Josh. Evidências que exigem um veredicto. São Paulo: Candeia, 1989

 
 
 

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