9. AMAR É...Não se ressentir do mal
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
- 7 de mar. de 2022
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Atualizado: 8 de mar. de 2022
Padre Jorge Aquino.
Chegamos ao nono elemento que caracteriza a essência do amor e que pode ser encontrado no versículo 5 do capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios. Aqui encontramos a expressão o amor “não se ressente do mal”, ou, conforme escrito no texto original, em grego, transliterado aqui: “ou logizetai to kakon” (Textus Receptus). Devemos registrar que a palavra chave desta expressão “logizetai” é um verbo, indicativo, presente, médio, da terceira pessoa do singular. Esta informação é de bastante valia quando examinamos a palavra em si.
Quando nos servimos dos dicionários que dispomos compreendemos que a palavra “logizetai” tem como raiz, diz Isidro Pereira, a palavra que implica em “calcular, contar,... fig. reflectir, considerar, inferir, deduzir, raciocinar”, etc. Nas variações apontadas por Taylor, esta palavra aponta para algo que “imputo, atribuo; reputo, suspeito; considero, conto com, tenho por ou na conta de; medito, discorro, julgo, penso, entendo, concluo; determino, proponho-me”. McKibben, dentre as várias possibilidades que apresenta, ele cita “considero, julgo, estimo, atribuo ou imputo”. Rienecker e Rogers (1985, p. 320) traduzem por “considerar e registrar”, traduzindo a expressão da carta aos coríntios de uma forma bastante livre e prática por “não registrar o mal”, ou seja, o amor “não estoca ressentimentos”.
As traduções que temos nas Bíblias em português são interessantes. A Almeida Atualizada diz “não se ressente do mal”; a Bíblia na Linguagem de hoje diz: “nem fica magoado”; a Bíblia de Jerusalém, a Versão Pastoral e a Tradução Ecumênica da Bíblia, traduzem da mesma forma: “não guarda rancor”; a Tradução da CNBB, por seu turno, diz: “não leva em conta o mal”.
Quando nos aprofundamos na melhor tradução da expressão fazemos coro com as palavras de Louw & Nida (1989, p. 347) que dizem que “logizomai” significa manter uma recordação mental dos eventos para uma ação futura, para manter na memória, para se lembrar e manter na mente. Quem age assim, realmente “guarda” e realmente “leva em conta” o mal que lhe foi feito.
Na segunda carta de Paulo aos Coríntios (5: 19) aprendemos que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões”. Em outras palavras, Deus não fica arquivando nossos erros para nos passar em rosto algum dia. Ele não tem algum tipo de serviço de contabilidade que fica registrando seus pecados. Segundo Leon Morris (MORRIS, 1983, p. 148) “O amor está sempre pronto para pensar o melhor das pessoas, e não lhes imputar o mal”. O comentário de Broadman (BROWN, 1984, p. 435) nos ensina que “O amor não guarda queixas contra os outros, porque uma vontade altruísta não permitirá que exista, simultaneamente, na mesma vida, um espírito queixoso”. Seguindo nesta mesma linha de pensamento Chaplin (s/d, p. 208) nos diz que “o amor não fica afagando na memória os males sofridos, mas sempre perdoa e esquece, considerando limpo o registro, a folha corrida de outros”.
Não existe vida conjugal sem desavenças, brigas, discordâncias, etc. Com isso todos concordamos, Mas quando existe amor as pessoas não abrem um livro de registro de erros para terem com que ferir seu companheiro quando algo de errado acontece. Quando amamos, não guardamos um livro de contabilidade contendo apenas as saídas, os malefícios e os erros, para podermos “passar em rosto” no momento em que nosso cônjuge cometer um deslize. À semelhança de Deus, precisamos aprender a não guardar as más lembranças e perdoar de todo coração. Quando se ama não ficamos afagando as culpas e os erros dos outros em nossa mente para usá-los, oportunamente, mais tarde como flechas afiadas para destruir a auto-estima do outro.
Quem ama, de fato, não se ressente do mal, ou seja, se comporta como Deus age conosco. Ele nos perdoa e aposta que, no futuro, seremos capazes de vencer nossos defeitos e viver uma vida melhor do que a que vivemos hoje.

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