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8. AMAR É...Não se exasperar

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 5 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Padre Jorge Aquino.

Continuando a comentar o verso 5 do capítulo 13 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, encontramos o oitavo elemento que revela a essência do amor. Aqui descobrimos que o amor “não se exaspera”, ou, conforme o Textus Receptus, “ou paroxinetai”. Esta palavra é um verbo que está no indicativo, presente, passivo, da terceira pessoa do singular e pode ser traduzido de várias formas diferentes.

Os dicionários que dispomos traduzem esta palavra de uma forma bem peculiar. W.C. Taylor, por exemplo, traduz “paroxysmos” por “desavença”, “irritação”. Ao buscar Isidro Pereira descobrimos que “paroxysmos” é traduzido por “excitação”, “impulso” e “irritação”. O Nuevo Lexico Griego Español del Nuevo Testamento, de McKibben traduz “paraxysmos” por “provocação”, “estímulo”, “contenção” e “desavença”.

As traduções bíblicas que temos em português dizem, basicamente, a mesma coisa. A tradução Almeida Atualizada diz “não se exaspera”; a Bíblia na Linguagem de Hoje diz: “não se irrita”; a Tradução da CNBB diz: “não se encoleriza”; a Bíblia de Jerusalém traduz: “não se irrita”, e a Bíblia Tradução Ecumênica, bem como a tradução Pastoral da Bíblia traduzem da mesma forma: “não se irrita”.

Parece haver uma relação entre esta palavra e a que a antecede. Ou seja, conforme nos lembram Rienecker e Rogers (1985, p. 320), “o egoísmo gera a irritabilidade”. O fato de que esta palavra se encontra na voz passiva nos revela que o indivíduo é objeto de ação de uma outra pessoa. A pessoa se irrita, ou se deixa irritar, em razão da ação egoísta feita pelo outro. Isto acaba gerando uma reação em círculo e, portanto, uma retroalimentação do desamor. Segundo Leon Morris (MORRIS, 1983, p. 149) não se exasperar, “fala da equanimidade do verdadeiro amor”. Segundo Michael Green (1982, p. 61), os coléricos e facciosos coríntios tinham muito o que aprender acerca disso com Jesus Cristo. O verdadeiro amor abre mão das respostas afiadas e contundentes. Segundo o Comentário de Broadman (BROWN, 1984, p. 435) “o amor não é mesquinho; não é difícil viver com ele. Não irrita nem provoca os outros”. Embora os verbos estejam na voz ativa, no original a voz é passiva, indicando que o verdadeiro amor não se deixa irritar ou provocar pelos outros. Chaplin (s/d, p. 208) entende bem esta realidade, por isso ele traduz este texto por: “o amor não se deixa provocar”. E, seguindo nesta mesma direção, continua ele: “o amor não perde a compostura em vista das ameaças aos seus ‘direitos’. Não se amargura ante as ofensas reais ou imaginárias”.

Um exemplo de como esta palavra pode ser aplicada às relações pessoais pode ser visto em Atos 15: 39. Aqui encontramos um conflito que ocorreu entre Paulo e Barnabé acerca da presença ou não de João Marcos na visita de algumas cidades. Diz a Bíblia que houve entre eles “tal desavença, que vieram a separar-se”. Desta forma Barnabé e Marcos foram para Chipre enquanto Paulo foi para a Síria e Cilícia.

A mesma experiência pode ocorrer entre os casais. Se nos deixarmos levar pela ira, pela cólera e pela irritação, muito facilmente poderemos ver casais seguindo caminhos diferentes. É importante compreender, como já foi destacado acima, que estando o verbo na voz passiva, nós nos deixamos atingir pelas ações dos outros. Dizer isso significa que precisamos compreender que os outros, as vezes, por egoísmo ou por outra razão qualquer procura nos ferir. Mas cabe a nós não reagir com irritação, cólera ou ira e, assim, permitir que esse sentimento nos leve para longe da pessoa amada.

Sei que não é fácil ser exposto sistematicamente a algum tipo de ação violenta, agressiva e destemperada, por bastante tempo e ainda assim manter-se no controle e não se exasperar. Mas é preciso que exercitemos o amor de Deus e, ao invés de nos irarmos e de simplesmente seguir outro caminho, deixar que o Espírito Santo que vive em nós nos faça aptos a evitar uma reação irritada que, em nada, ajudará.





 
 
 

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