6. AMAR É... Não ser indecoroso
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
- 3 de mar. de 2022
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Padre Jorge Aquino.
Agora estaremos entrando no versículo 5 do capítulo 13 da primeira Carta de Paulo aos Coríntios. O texto do versículo 5 começa afirmando que o amor “não se porta com indecência, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal”. O Textus Receptus, que registra o texto original escrito em grego, assim se expressa: “ou kaskemonei ou zetei ta eautes ou parozynetai ou logizetai to kakon”. Ao lado disso, observamos que a Nova Versão Internacional da Bíblia diz: “Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor”. Assim, neste versículo podemos encontrar mais quatro características do amor de Deus (ágape), além dos cinco que já estudamos. Agora, nos debruçaremos sobre o sexto elemento que marca o amor ágape e que diz: “Não se porta com indecência”.
Quando nos aproximamos do Textus Receptus, verificamos as palavras “ou kaskemonei”. E, buscamos o seu significado nos dicionários, nos damos conta que, por exemplo, W.C. Taylor traduz esta palavra por “indecoroso” ou portar-se “inconvenientemente”. A Chave linguística do Novo Testamento grego traduz a palavra da seguinte forma “comportar-se indecentemente ou de maneira vergonhosa”.
As versões da Bíblia que temos em português trazem traduções muito próximas. A Versão Almeida Atualizada traduz assim a expressão: “não se conduz inconvenientemente”; a Nova Versão Internacional diz: “não maltrata”; a Bíblia na Linguagem de hoje traduz “nem é grosseiro”; a versão da CNBB diz: “não faz nada de vergonhoso”; e finalmente a Bíblia de Jerusalém, a Versão Pastoral e a Bíblia Tradução Ecumênica traduzem: “nada faz de inconveniente”.
Com esta palavra Paulo esta querendo dizer que quem ama, além de ser respeitoso é incapaz de envergonhar ou de expor a pessoa amada ao ridículo. Leon Morris diz que esta expressão “contém a ideia de algo que não se harmoniza com a forma devida, e assim, é uma coisa vergonhosa, desonrosa, indecente”. Por não ser rude, quem ama “não se comporta sem boas maneiras”(MORRIS, 1983, p. 148). Não estou dizendo que o cônjuge cristão tem que ser perfeito, mas que o verdadeiro amor se esforça para agir com propriedade, sem arrogância e com moderação e, sobretudo, com respeito. Russel Champlim, citando Laurence Sterne nos diz que “termos respeito por nós mesmos é algo que guia nossos princípios morais; e mostrar deferência para com os outros governa as nossas maneiras”. Quem ama usa sempre de atenção e de boas maneiras para com seu cônjuge, jamais sendo rude ou gerando vergonha ou maus tratos, expondo seu cônjuge a qualquer forma de ridículo. O verdadeiro amor não age assim.
É impensável, no juízo de Paulo, ver alguém que ama verdadeiramente expor ao ridículo aquele que diz ser o objeto de seu amor. A rudeza, a arrogância, a grosseria e a exposição pública com a intensão de envergonhar o outro não combina com o amor agapê. Fazer isso é ser grosseiro e rude, ou seja, agir inconvenientemente e maltratar quem, na verdade, deveria ser o alvo de nossos bons tratos e de nossa proteção. É exatamente isso que prometemos em nossos votos eclesiásticos e é assim que Cristo trata sua esposa, a Igreja. Aquele que ama não podemos agir diferente.

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