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5. AMAR É... Não ser soberbo

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 1 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Reverendo Padre Jorge Aquino.

Esta é a quinta palavra usada por Paulo neste texto para descrever os elementos que marcam o amor ágape. Desta forma, o quinto elemento apresentado em I Coríntios 13: 4, segundo o que diz, é que: “o amor não se ensoberbece”, ou, segundo o original grego registrado no Textus Receptus, “u fysiutai”.

Seguindo o caminho que estamos trilhando nesta série de textos, buscaremos agora o significado desta palavra nos dicionários que dispomos. Quando procuramos pelo verbete “fysioutai” descobrimos que esta palavra vem da raiz “fysioô” que segundo Isidro Pereira se traduz por “inchar-se de orgulho, de vaidade”. O dicionário de W.C. Taylor, por seu turno, traduz por “ando inchado, ensoberbeço-me, estou inchado”. Por fim, o dicionário de Mc Kibben-Stockwell-Rivas traduz por “inchado e envaidecido”. É importante registrar que a palavra está no presente médio indicando que a ação é contínua e que se volta-se para sí mesmo, revelando que é o resultado de uma opinião que temos acerca de nós mesmo. Em outras palavras, a pessoa “se acha”.

As versões da Bíblia que temos em português trazem traduções muito próximas. A Versão Almeida Atualizada bem como a Versão Corrigida traduzem: “o amor não se ensoberbece”; a Nova Versão iternacional diz: “não se orgulha”; a Bíblia na Linguagem de hoje traduz: “nem vaidoso”; a versão da CNBB, a Bíblia de Jerusalém, a Versão Pastoral e finalmente a Bíblia Tradução Ecumênica dizem: “nem se incha de orgulho”.

Esta palavra foi usada por Paulo em outros lugares neste livro. Em I Coríntios 4: 6, Paulo critica aquela comunidade com a finalidade de que ela não se “encha de orgulho” por estar mais próxima da amizade de Paulo ou da de Apolo. Tanto um quanto o outro eram apenas servo por meio de quem Cristo agia. Aqui ele critica o partidarismo existente naquela igreja. Pessoas que se viam melhores porque estavam mais próximos de Paulo, de Apolo ou de Pedro. Gente que se considerava melhor que as outras porque se relacionavam um um ou com outro. Crítica semelhante ele faz em I Coríntios 4: 18, 19. Em I Coríntios 5: 2, Paulo critica o “orgulho” e a “soberba” de uma comunidade que aceita como normal o fato de alguem chegar a deitar-se com a “mulher de seu próprio pai”, cometendo o que ele chama de pornéia ou seja, imoralidade. Aquela era uma igreja que era capaz de se orgulhar até dos erros que cometia.

Quando nos aproximamos dos comentadores deste texto encontramos, por exemplo, Russell Champlin que diz: “o amor não se ostenta, não se ufana orgulhosamente nem daquilo que possui, como aquilo que lhe é natural, como a sabedoria, as riquezas, a honraria, a força ou os dons espirituais, e nem daquilo que faz, visto que aquilo que faz, fá-lo com base no princípio do amor, tendo em vista a glória de Deus e não a fim de ser visto pelos homens”. Aquela era uma comunidade cheia de dons e talentos (I Co 1:5), já sabemos, mas que lamentavelmente não sabia conviver com suas próprias virtudes. Esta realidade condenada por Paulo na igreja em Corinto, também pode ser encontrada em muitas igrejas que pretendem ser cristãs.

Em um relacionamento cada um tem seus próprios dons e talentos. O fato de que um dos cônjuges tem este ou aquele talento não significa que o outro seja inferior. O ideal é que haja uma complementariedade dos talentos e dons. Enquanto um é mais racional o outro é mais emotivo; enquanto um é mais apto à administração o outro pode ser mais inclinado à trabalhos manuais, o que verificamos é um crescimento mútuo e um mútuo enriquecimento.

Em um casamento frutífero os dons e talentos não devem ser motivo de orgulho, mas de serviço mútuo para o crescimento comum e a edificação do casal. Quando há amor os dons e talentos não podem ser usados como instrumento de humilhação ou de rebaixamento do outro. Se isso ocorre, é fruto do “orgulho”, mas o fruto do amor faz com que todos os elementos em jogo sirvam para unir, fortalecer e solidificar a relação.



 
 
 

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