2. O QUE É O AMOR? O AMOR É BENIGNO
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
- 23 de fev. de 2022
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Reverendo Padre Jorge Aquino.
No primeiro texto sobre as marcas do amor apresentadas por Paulo em sua primeira carta aos Coríntios 13, examinamos a tese de que o amor ágape, se apresenta, em primeiro lugar como paciência, ou seja, como “makrothymei”. Agora estamos diante do segundo elemento do amor ágape, que se apresenta como “benigno” ou, em grego, “kresteyetai”, I Coríntios 13: 4.
Nos dicionários que dispomos, Isidro Pereira traduz “kresteyetai” como “portar-se como homem de bem”. W.C. Taylor, por seu turno, traduz “kresteyomai” como “uso de benignidade”, e o dicionário de Mc Kibben-Stockwell-Rivas, concorda, traduzindo por “benigno”.
As versões de Bíblias em português seguem a mesma tendência. As traduções Almeida Corrigida e Atualizada usam a palavra “benigno”. A Bíblia na linguagem de Hoje traduz como “bondoso”; a Bíblia Pastoral traduz como “prestativo” a Bíblia de Jerusalém traduz como “prestativa”, a tradução da CNBB usa a palavra “benfazejo” e a Tradução Ecumênica usa a palavra “serviçal”.
Diferente de “makrothymei”, que estava no presente do indicativo ativo, apontando para uma ação que se voltava para o “outro”, “kresteyomai” está no presente médio, indicando que estamos tratando de uma característica que o agente desenvolve dentro de sí mesmo, ainda que possa se voltar para os outros. Estamos, portanto, diante de uma ação que o agente opera “em si”, mas cujos reflexos são percebidos nos outros. Assim é o amor, somos capazes de mudar a nós mesmos para que nosso cônjuge possa ser abençoado com essas mudanças.
Rienecker e Rogers dizem que “kresteyomai” significa “ser útil, ser agradável e gentil, mostrar bondade, alguém que presta serviços a outras pessoas de modo gracioso e bem disposto” (1985, p. 319). Outro dado interessante é que enquanto “makrothymei” ou seja, “paciência” diante das pessoas em geral, “kresteyomai”, ou seja, “bondade”, fala de uma reação bondosa para com aqueles que nos maltratam. No comentário bíblico de Broadman há uma citação de Moffatt que diz: “uma pessoa benigna é espontaneamente boa para com os outros. Ela não mede a bondade dos outros, e, sim, expressa a sua bondade para com os outros” (BROWN, 1984, p. 430).
Em Romanos 4: 2 a palavra é usada para falar da benignidade de Deus disposta a gerar arrependimento no homem que, de forma insana, é incapaz de perdoar os outros. Em II Coríntios, Paulo usa a mesma palavra para descrever seu comportamento para com a igreja de Deus, sendo bondoso e jamais exigindo deles algo. Em Gálatas 5: 22 Paulo inclui a benignidade entre o fruto do Espírito e em Colossenses o Apóstolo inclui esta característica entre as características exigíveis de todo cristão.
Ora, se esta é uma exigência esperada para o trato de todos os cristãos, imagine o que esperar dos casais. É preciso que os casais aprendam a desenvolver a capacidade de exercitar a bondade, a capacidade de de servir e de ser prestativo uns para com os outros. Em uma sociedade cada vez mais egoísta, ser capaz de amar é ser capaz de servir e de fazer o bem para com aquele que amamos. Não existe amor se não existem gestos concretos de bondade e de serviço.
O contrário da benignidade é a malignidade. Já imaginaram a quantidade de casais que existem e que maquinam coisas ruins contra seu companheiro? A ideia de Paulo é exatamente oposta a esta. Fazer coisas simples como abrir a porta do carro, levantar da cama para trazer aquele copo com água, lavar a louça, cobrir seu cônjuge que adormeceu em uma noite fria, enfim, agir com gentileza. Isto, que parece ser gestos tão distantes, deveria ser parte do cotidiano na vida de todo casal que se ama. Um casal que se ama se faz bem cotidianamente. Eles não apenas verbalizam mas materializam seu amor em gestos concretos. Em resumo, eles são benignos – fazem bem - um ao outro.

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