12. AMAR É... Tudo crê
- Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
- 11 de mar. de 2022
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Padre Jorge Aquino.
Chegamos agora ao décimo segundo elemento que marca a essência do amor: “o amor tudo crê”, ou, conforme podemos ler no texto grego original transliterado: “panta pisteuei”.
Conforme estamos fazendo desde o início, nosso primeiro passo é buscar a raiz da palavra-chave, que neste caso é “pisteuei” - que é um verbo, indicativo, presente, ativo, da terceira pessoa do singular de “pistis”, palavra traduzida por Taylor por “fé” na Bíblia, nas crenças doutrinárias, mas também pode apontar para pessoas que são dignas de confiança, ou seja de “pistós”. McKibben também entende que “pistis” se refere ao “fiel” ou “crente”. Isidro Pereira traduz “pisteuô” como “confiar em”, “fiar-se de”, “crer em”, “confiar a”.
Nas traduções da Bíblia que temos disponíveis vemos traduções parecidas. A Versão Atualizada, a Edição Contemporânea, a Versão Pastoral, a Bíblia tradução ecumênica e a Bíblia de Jerusalém traduzem: “tudo crê”. A tradução da CNBB diz: “crê tudo”. A Bíblia na linguagem de hoje traduz assim: “suporta tudo com fé”.
Como vimos acima, a expressão “tudo crê” não se refere ao amor às Escrituras ou a sã doutrina, mas às pessoas. Esta palavra é muito cara para mim. Quando entrei no Seminário, precisei – assim como os demais colegas - aprender uma série de versículos bíblicos que deveriam ser citados sempre que arguidos. E o primeiro deles dizia “o que Deus requer dos despenseiros é que eles sejam fiéis” (I Co 4: 2). Ademais, em todas as provas que fazíamos, algumas delas sem a presença do professor, tínhamos que escrever no canto superior direito da página a palavra grega “pistós”, que quer dizer “fiel”, para afirmar que não havíamos colado na prova. Hoje eu entendo que esta prática procurava criar uma geração de pessoas que fossem confiáveis, ou seja, em quem as pessoas pudesse acreditar.
Voltando para o texto, “tudo crê” significa que o amor não pensa mal. Ele continua esperando o melhor das pessoas, sendo encorajando pela fé. Chaplim (s/d, p. 209) nos diz que “o amor permanece como amigo, e ama a despeito do que sabe a seu respeito; vê seu potencial, encoraja-o a cumprir os seus ideais”. Alias, em uma excelente citação Chaplim (s/d, p. 209), usando as magistrais palavras de Kling diz: “O amor demonstra disposição de confiar, ao invés de suspeitar malignamente, a imaginar e desmascarar supostas faltas, sempre inclinado a supor a existência de um bem invisível; e, nas falhas sempre inclinado a presumir a existência de uma correta intenção”.
O amor acredita no lado melhor do seu cônjuge. Dizendo de uma forma diferente, assim se expressa Michael Green: “o amor acredita no melhor das pessoas, não no pior”. Isto não significa que o amor esteja sempre disposto a ser enganado pelas mentiras de qualquer pessoa, “mas sim que o amor está sempre disposto a conceder o benefício da dúvida” (MORRIS, 1983, p. 149). O verdadeiro e precioso amor está mais disposto a uma atitude de generosidade do que de suspeição. Ele está mais disposto a acreditar do que a desistir. Ele tem fé, ele acredita e confia.
Sabemos que todas as pessoas erram e que ninguém é perfeito. Diz a Bíblia “se dissermos que não temos pecados somos mentirosos e não há verdade em nós” (I Jo 1: 8). Mas o verdadeiro amor tem a capacidade de superar a dúvida, a descrença e a falta de fé. O verdadeiro amor acredita na possibilidade de um engano de julgamento ou mesmo na recuperação, caso algum erro tenha realmente sido cometido. Quando o casal atinge uma certa maturidade eles chegam a um grau tão elevado de conhecimento mútuo que não será qualquer acusação que será levada em conta. É neste momento que a fé (que tudo crê) entra em ação.

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