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10. AMAR É... Alegrar-se com a verdade

  • Foto do escritor: Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
    Reverendo Padre Jorge Aquino ✝
  • 9 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Padre Jorge Aquino.

O décimo elemento que marca a essência do amor é a alegria em função da verdade. De fato, quando buscamos todo o versículo 6 no texto original, em grego transliterado, é assim que lemos: “ou xairei epi te adikia sugkairei dete aletheia” (Textus Receptus), que é traduzido assim: “não se alegra com a injustiça mas se regozija com a verdade”. É importante destacar neste texto uma espécie de antítese entre as palavras: “adikia” e “aletheia”.

Enquanto Isidro Pereira traduz a primeira palavra por “injustiça, falta”, ele traduz a segunda por “verdade, veracidade, sinceridade”. Taylor, se por um lado é lacônico ao traduzir a primeira palavra por “iniquidade”, mas vai muito mais fundo na exposição da segunda palavra, traduzindo-a por “não mera veracidade, mas verdade de ideia, realidade, sinceridade, verdade na esfera moral, franqueza”. Finalmente, McKibben traduz “adikia” por “iniquidade, injustiça, maldade” e “aletheia” por verdade.

Exemplos das duas palavras podem ser vistas em vários lugares do Novo Testamento. Em Lc 18: 6, por exemplo, o Senhor diz: “considerai no que diz este juiz iníquo”. Em Jo 7: 18, em pleno confronto entre Jesus e os judeus, Jesus diz: “Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça”. Importante perceber que, também aqui João coloca na boca de Jesus – que falava aramaico - estas palavras gregas nas quais Jesus contrapõe a verdade à iniquidade. Novamente este binômio aparece em Rm 1:18 quando Paulo diz: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”.

No que diz respeito à verdade “aletheia”, é importante destacar a mulher que já vinha sofrendo de uma hemorragia havia 12 anos e que, ao tocar em Jesus e ser curada, foi desmascarada. Assim diz o texto: “Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade” (Mc 5:33). O próprio Jesus, conforme a leitura joanina, disse ser ele o caminho, a verdade e a vida (Jo 14:6).

As traduções que temos em português são similares. A Versão Almeida Atualizada, a Bíblia de Jerusalém, a Tradução da CNBB, a versão Pastoral e a Tradução Ecumênica da Bíblia usam as mesmas palavras: “injustiça” e “verdade”. A Bíblia na linguagem de hoje quase que parafraseia o texto dizendo: “o amor não se alegra quando alguém faz alguma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo”.

Quando procuramos aplicar este texto à nossa vida cotidiana descobrimos, como diz Morris, que: “É tremendamente característico da natureza humana sentir prazer com os infortúnios dos outros. Grande parte das colunas de notícias dos nossos jornais é dada a relatar injustiças (AV ‘iniquidade’), quer no sentido de desgraça, quer no de más ações” (MORRIS, 1983, p. 148). É por isso o elevado grau de audiência que os programas sensacionalistas que somente tratam de desastres e mortes possuem.

Parece normal sentir uma certa alegria quando vemos o mal ocorrer com aqueles que odiamos ou com quem nos faz mal. Mas este não o verdadeiro amor. Ele não se alegra com nenhum tipo de maldade. Quem ama sempre busca a verdade e se opõe a toda espécie de mal e de injustiça.

Um casal que se ama verdadeiramente não encontra nenhum prazer ou alegria no erro, na queda ou no fracasso de seu cônjuge, nem usa isso para exaltar sua própria retidão ou sua opinião. O amor não encobre o erro chamando o errado de correto, mas tem alegria na lealdade à verdade. Nem quem sofre nem quem causa a dor lucram sem que a verdade, e não a maldade, impere.

Lembro do pensamento de Rubens Alves – já exposto aqui - quando diz que os casais devem aprender a jogar frescobol e não tênis. No tênis, nós ganhamos quando o outro erra e jogada, ao passo que no frescobol a alegria dos jogadores é fazer todo o esforço necessário para que seu companheiro de jogo receba a bola da melhor forma possível. Jogando frescobol, nos alegramos no acerto e não no erro do nosso companheiro de vida. Assim deve ser uma relação saudável e sã. Portanto, alegre-se com seu cônjuge e, mesmo quando ele cometer um erro, encare isso como uma oportunidade de ajuda e de apoio e não de exposição à execração pública.



 
 
 

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